SÃO PAULO (Reuters) - O ministro da fazenda, Guido Mantega, rebateu nesta segunda-feira as críticas contra a Petrobras, dizendo que o empréstimo tomado pela empresa com bancos estatais deve-se à escassez de crédito externo e não a problemas de liquidez da companhia. Segundo ele, a diminuição do crédito internacional é um problema que o governo brasileiro precisa enfrentar, já que as grandes empresas que pegavam dinheiro lá fora agora se financiam internamente, reduzindo os recursos disponíveis para as demais companhias.

"Colocar em dúvida a solidez da Petrobras é uma verdadeira piada... A Petrobras está sendo objeto de comentários indevidos. Os lucros (da Petrobras) estão subindo, são recordes, e a Petrobras vai completar o programa de investimento em 2008", disse Mantega em evento em São Paulo.

"É uma tempestade em copo d'água. A Petrobras vai continuar a ser a maior empresa brasileira."

"Várias empresas estão tomando crédito no mercado interno e esse é o desafio que vamos enfrentar agora", afirmou o ministro.

Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira de Infra-estrutura e Indústrias de base (ABDIB), presente no mesmo evento, disse que a cada 1 bilhão de reais que as grandes empresas tomam emprestado internamente, elas tiram a capacidade de duzentas empresas de se financiar no mercado local.

Diante desse cenário, Mantega afirmou, sem dar maiores detalhes, que "cabe a nós, governo, e ao setor financeiro viabilizar o crédito".

Segundo o ministro, a concessão de financiamento pelo sistema financeiro nacional já melhorou em novembro, depois de ter recuado 3 por cento em outubro, mas ainda não voltou ao normal.

Segundo o ministro, a fase mais aguda da crise já foi estancada e agora é preciso trabalhar para garantir a estabilização da liquidez.

(Reportagem de Vanessa Stelzer)

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