Durval entregou envelope com R$ 63 mil ao Ministério Público

Em outubro passado, o ex-secretário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal Durval Barbosa entregou ao Ministério Público (MP) um envelope contendo R$ 63 mil. Segundo ele afirmou ao MP, o dinheiro teria vindo de uma das maiores empresas de informática de Brasília, cujos repasses do governo encontravam-se paralisados. Durval alega que a suspensão dos pagamentos se devia à demora no acerto da propina. Conforme o ex-secretário, os RS 63 mil seriam destinados ao governador José Roberto Arruda. A revelação está no depoimento de Durval, ao qual a reportagem do iG teve acesso.

Gustavo Gantois e Matheus Leitão, iG Brasília |


O envelope com os R$ 63 mil foi entregue a Alessandra Queiroga, promotora de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e uma das investigadoras do caso. Ela o repassou para a Polícia Federal. Durval assinou um termo de declaração, anexado ao inquérito, que comprova a entrega. Mas a menos que as cédulas tenham sido marcadas para posterior rastreamento ou que Durval tenha gravações da entrega da propina, dificilmente a polícia poderá ir além do depoimento de Durval para comprovar a origem escusa dos R$ 63 mil.

O ex-secretário também conta como enganou Arruda em relação ao destino do dinheiro. Questionado sobre o envelope, que havia entregado ao MPDFT, Durval disse a Arruda que o havia esquecido em sua mesa e no dia seguinte ele não estava mais lá. "Posso fazer um boletim de ocorrência?", brincou Durval. O governador então teria respondido: "Eu sei que você não erra". (página 514) Como no caso da origem, a menos que o ex-secretário tenha gravações ou testemunhas desse diálogo, dificilmente a polícia poderá avançar na prova de que o destinatário dos R$ 63 mil seria de fato o governador.

De acordo com o depoimento, quando Arruda estava fora de Brasília, o secretário de Fazenda, Valdivino José de Oliveira, era o responsável por informar a Durval sobre as previsões de pagamentos das empresas de informática que ele estava encarregado de controlar. Em um desses encontros, Valdivino teria dito a Durval: "Durval, este governo não tem jeito de dar certo, porque o esquema de propina começa no protocolo e vai até o governador". Durval também relata que Valdivino tinha muitos problemas com Roberto Giffone, corregedor-geral do DF, e Ricardo Pena, secretário de Planejamento, porque "tudo que faziam era a custa de retribuição, propina". Ainda de acordo com Durval, Valdivino considerava Giffone o pior entre os dois. (página 515).

O iG entrou em contato com a assessoria de imprensa do Governo do Distrito Federal, que reafirmou a nota divulgada neste sábado. O telefone celular de Valdivino não atende, e Giffoni e Pena também não foram encontrados pela reportagem.

Veja o volume 4 do inquérito (o depoimento em que é detalhado este esquema está entre as páginas 52 e 54 do arquivo em pdf)


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