Durval diz que Arruda recebeu R$ 3 milhões em espécie do setor de informática

O ex-secretario de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa deu sua versão de como funcionava o suposto esquema de arrecadação de propina com as empresas de informática no governo José Roberto Arruda. Em depoimento prestado no dia 02 de dezembro ao Ministério Público Federal, Durval contou aos investigadores que o governador Arruda recebeu o equivalente a ¿R$ 3 milhões¿ em dinheiro.

Matheus Leitão e Fred Raposo, iG Brasília |

No depoimento obtido pelo iG (leia folhas 501 e 502 ), Durval afirma que Arruda queria receber, inicialmente, R$ 4 milhões do setor de informática no primeiro ano de mandato. Mas teria sido convencido por Durval a receber menos. Arruda aceitou receber somente três milhões de reais, afirma Durval no depoimento. O texto diz ainda que Durval ponderou ao governador que a pretensão de receber uma propina de quatro milhões de um montante de cinqüenta e sete milhões reais por serviços de informática prestados ao governo era extorsivo.

O ex-secretario de Relações Institucionais diz que convenceu Arruda a diminuir a sua parte no suposto esquema após lembrá-lo que o governador já havia recebido uma parte dessa propina em 2006, quando era candidato. Durval se refere ao vídeo em que Arruda recebe dinheiro nas eleições.

No depoimento, Durval conta como teria entregue os R$ 3 milhões a Arruda. Por determinação do governador, diz o ex-secretário, teria deixado duas parcelas de R$ 1 milhão na casa de Jose Humberto Pires, secretário de governo e um dos principais auxiliares do governador. Cada uma das parcelas de R$ 1 milhão, segundo Durval, estaria acondicionada em caixa de papelão. A ultima parcela teria sido entregue na Combral, empresa da família de José Humberto.

Os novos depoimentos de Durval foram dados a Sub-Procuradora Geral da República Raquel Elias Ferreira Dodge e aos promotores do ministério público do Distrito Federal Sergio Bruno Cabral Fernandes e Eduardo Gazzinelli Veloso em São Paulo. A assessoria de imprensa do governador informou ao iG que só os advogados de Arruda falam sobre o assunto. Até o fechamento desta reportagem, os advogados não foram localizados.

O esquema, segundo Durval

Barbosa afirmou ao Ministério Público Federal que o esquema de arrecadação teria começado a funcionar em janeiro de 2007, logo que Arruda tomou posse. A princípio, afirma no inquérito, o governador descentralizou os serviços de informática do governo em cada órgão, criando uma "Agência de Tecnologia".

Mas o ex-secretário diz que Arruda acabou perdendo controle sobre os contratos e, consequentemente, sobre o "retorno financeiro que ele próprio obteria em termos de propina".

De acordo com o depoimento ao MP, Arruda teria decidido então unificar o modo de recebimento do dinheiro da área de informática, pois os titulares dos órgãos contratantes não vinham prestando contas das "propinas que estavam sendo exigidas e cobradas".

Arruda, segundo os depoimentos ao Ministério Público Federal, teria encarregado Durval de ser o unificador da arrecadação da propina, que depois seria distribuída conforme sua orientação. Durval disse que o governador precisava de alguém que fosse "leal a ele" para fazer a prestação de contas.

Durval afirma nos depoimentos que, mais tarde, Arruda teria passado a controlar esquemas montados em outras áreas do governo. Teria nomeado o então chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, para distribuir dinheiro a parlamentares distritais, que dariam sustentação ao governo na Câmara Distrital. Durval diz ter atuado como arrecadador do fim de 2007 até o final da segunda quinzena de novembro deste ano.

O ex-secretário contou que a única exceção na prestação de contas do "retorno financeiro" foi um contrato emergencial com a empresa Sangari, celebrado sem licitação, com a Secretaria de Educação no valor "aproximado" de R$ 300 milhões. O acerto, diz o depoimento, teria sido selado diretamente entre Arruda e Ben Sangari, dono da empresa (leia folha 498 ).

Em nota, a empresa Sangari nega ter feito pagamento ou ter dado qualquer tipo de contribuição a "candidato, partido político, servidor público, mandatário ou seus assessores".

Veja o
volume 4 do inquérito


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