Durante julgamento, acusado de matar jovem inglesa conta detalhes do crime

GOIÂNIA - O interrogatório de Mohammed d¿Ali, de 21 anos, terminou na tarde desta quinta-feira. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, ele afirmou que matou e esquartejou a jovem inglesa Cara Marie Burke. Mais cedo, durante o julgamento, a tia do réu, Jane Lúcia Souza Oliveira, havia dito que o pai de Mohammed foi assassinado e esquartejado quando o acusado tinha dois anos de idade. O irmão do réu também prestou depoimento e atribuiu o crime à ausência do pai na vida do rapaz.

Redação |

A sessão de júri popular, que teve início por volta das 9h, acontece no 2° Tribunal do Júri de Goiânia e é aberta ao público - mais de 300 pessoas estão no local. O juiz Jesseir Coelho de Alcântara preside o júri.

Neste momento é feito o debate oral entre o promotor Milton Marcolino dos Santos Júnior, e os advogados de Mohammed, Odair de Menezes e Carlos Augusto Trajano. Segundo o juiz Jesseir, a previsão é de que o júri termine à 0h.

Durante o debate oral entre a promotoria e a defesa de Mohammed, o promotor Milton disse que "quando a pessoa é pertubada mentalmente, existe um vínculo entre seu ato e a pertubação, o que não ocorreu no caso de Mohammed. A acusação seguiu dizendo que o fato de o réu ter perdido o pai é lamentável, mas não justifica seus atos.

Ele continuou, após mostrar fotos de Cara esquartejada em um telão "Uma coisa é ser doente mental, outra é ser [uma pessoa] fria, má e ruim.

No momento, a defesa do réu está no plenários expondo suas teses durante 1h30, mesmo tempo que a promotoria. Após isso, a acusação terá mais uma hora para a réplica e a defesa mais uma hora para fazer a tréplica. Em seguida, o Conselho de Sentença se reunirá para a votação. Até o momento, a defea insiste da tese de que Mohammed tem problemas de saúde mental.

AP
Mohammed D' Ali é acusado de matar e esquartejar a inglesa Cara

Detalhes do crime

Segundo Mohammed, ele e Cara se conheceram em Londres, mas não namoraram ou tiveram relacionamento sexual. Ele afirmou que usou uma faca e uma mala preta para ocultar o corpo da garota que, segundo o réu, usava drogas e fazia furtos para sustentar o vício enquanto vivia em Londres.

O réu disse que Cara morou um mês com ele em um apartamento do Setor Universitário, mas na época do crime a garota estava morando com outra pessoa. Cara teria pedido para voltar a morar com Mohammed, que aceitou. Quando a garota lhe pediu dinheiro emprestado e ele negou, o réu afirma que ela ameaçou contar para sua mãe sobre o uso de drogas do rapaz.

Reuters
Mohammed, durante julgamento

Ele havia mostrado 50 gramas de cocaína para Cara, que pegou

o telefone para ligar a um amigo, que viria buscar a droga e lhe dar o valor correspondente. Enquanto a menina fazia a ligação, o suposto assassino disse que ligou o aparelho de som em um volume alto para atrapalhar a conversa. "Peguei a faca que estava usando para cortar o pó e enfiei nela, disse.

Mohammed afirma que estava sob efeito do crack há quatro dias e somente depois de algum tempo se deu conta do assassinato, de acordo com informações do Tribunal. Com uma das mãos eu tapei a boca dela e, com a outra, segurava a faca. Ela tocou na faca duas vezes, eu cheguei a morder o braço dela e ela a soltou, detalhou.

Após matar a vítima, ele tomou banho, colocou o corpo da garota no banheiro e saiu de casa para ir à festa de uma amiga, onde permaneceu até as 10h da manhã do dia seguinte.

Ele também assumiu que, antes de sair, tirou fotos do corpo de Cara com o seu celular. Quando chegou da festa, decidiu que esquartejaria o corpo para se livrar dele. Fui a um supermercado e comprei uma faca. Cortei primeiro a cabeça, depois os  braços e, por fim, as pernas, relatou.

Nas duas malas que tinha em casa, ele colocou os membros e a cabeça da vítima e, com o carro emprestado de um amigo, jogou as malas no Córrego Sozinha.

Depoimentos de parentes

Jane, a tia de Mohammed, foi a primeira testemunha de defesa ouvida nesta quinta-feira. Segundo ela, Mohammed tem problemas psicológicos e o principal motivo disso é a ausência do pai . Questionada pela defesa sobre o comportamento do sobrinho antes de usar drogas, ela respondeu: Ele nunca foi normal. Para Jane, as grandes jornadas de trabalho da mãe do réu fez com que ele não tivesse percepção de limites.

O irmão do réu disse que sempre teve medo de Mohammed, pois ele tinha um comportamento compulsivo e não sabia como dominar suas emoções. Bruce Lee também mostrou as cicatrizes de ferimentos na perna e no estômago por causa das facadas dadas por seu irmão. Ele também disse que Mohammed usava drogas e vendia objetos de sua família para sustentar o vício. Bruce Lee  afirmou que contou sobre o irmão à mãe deles, mas ela não havia acreditado.

Acusação

Santos é acusado de homicídio qualificado por motivo fútil e sem oferecer oportunidade de defesa à vítima.

O jovem teria matado Cara, de 17 anos, a facadas no dia 26 de julho

de 2008 em um apartamento em Goiânia. Segundo o Ministério Público (MP) do Estado, ele esquartejou a menina e ocultou partes do corpo.

Na primeira fase do julgamento, serão ouvidas dez testemunhas, cinco de acusação e cinco da defesa. Em seguida, haverá o interrogatório do réu e o debate oral entre Ministério Público e defesa, com direito à réplica e tréplica.

Defesa diz que jovem estava drogado

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