Interlocutores do presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), informaram hoje à Agência Estado que o senador deve propor a unificação das representações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que tratam de assuntos semelhantes. Enquadram-se neste caso quatro representações: duas delas - uma registrada pelo PSDB e outra pelo PSOL - pedem ao conselho que investigue a responsabilidade de Sarney na edição de atos secretos; e duas - também apresentadas cada uma por um destes partidos - pedem a apuração da possível participação de José Sarney no esquema de desvio de dinheiro de patrocínio cultural da Petrobras pela fundação que leva seu nome.

Duque, segundo os interlocutores, não estaria pensando em juntar a nenhuma dessas representações aquela em que o PSDB pede ao Conselho de Ética a apuração de suspeita de favorecimento do presidente do Senado a seu neto José Adriano Cordeiro Sarney, cuja empresa operava crédito consignado a servidores da Casa. Na avaliação do presidente do Conselho, representações que tratam de assuntos distintos precisam de relatores diferentes, e juntá-las em um único processo seria um desrespeito aos autores.

Paulo Duque, apesar de ter a prerrogativa, como presidente do Conselho, de arquivar sumariamente as representações contra Sarney, não estaria disposto a enfrentar o desgaste político dessa opção. Ele estaria confiante em que, ao entregar aos conselheiros a decisão sobre as representações, a maioria deles pedirá o arquivamento delas. Dez dos quinze senadores do Conselho de Ética são da base aliada ao governo.

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