Duas mil famílias continuam desabrigadas em São Luiz do Paraitinga

SÃO PAULO - Pelo menos 2 mil famílias continuam desabrigadas e 200 desalojadas por causa das chuvas da última sexta-feira (1º) em São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, que deixaram a cidade praticamente submersa. Parou de chover na região e o sol reapareceu hoje (4), mas o nível de água do Rio Paraitinga ainda estava 6 metros acima do nível normal, no final da manhã, embora tenha baixado à metade.

iG São Paulo com Agência Brasil |

As informações foram dadas pelo Corpo de Bombeiros de São José dos Campos, a cerca de 100 quilômetros desse município. Permanecem no local auxiliando no atendimento às vítimas das enchentes 58 bombeiros e 20 viaturas, junto com equipes do Exército, Defesa Civil e Polícia Militar.

De acordo com os bombeiros, cerca de mil voluntários ajudam a distribuir alimentos e prestam solidariedade aos desabrigados. No entanto, aparecem também pessoas oportunistas, que aproveitam a situação de caos para saquear residências alagadas e roubar objetos do rico acervo do patrimônio histórico da cidade. Ainda não há um levantamento preciso sobre todos os danos provocados nos prédios históricos datados dos séculos 19 e 20, entre os quais estão a Igreja Matriz de São Luiz de Tolosa, que desabou.

Igreja ruindo ao ser atingida pela água em São Luiz do Paraitinga / AE


Segundo nota da Defesa Civil do estado, cerca de 5 mil pessoas chegaram a ser removidas de suas casas durante as cheias.

Ainda não foi restabelecido o sistema de telefonia, nem o fornecimento geral de energia elétrica. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) enviou 2 mil litros de água potável em copos de 200 mililitros. A Defesa Civil também avalia moradias que estão em áreas de riscos.

Na cidade de Cunha, próxima a São Luís do Paraitinga, a prefeitura decretou estado de emergência.

Dez pessoas morreram em consequência das chuvas no estado, seis delas em uma área rural desse município, todas da mesma família, que estavam no local para passar a virada do ano. Restou apenas uma sobrevivente do grupo, que continua hospitalizada.

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Cunha, Cristóvão Alves da Silva, mais de 90 residências foram afetadas, mas a extensão dos danos ainda está sendo avaliada.

Cunha informou que a área rural foi bastante castigada pelo transbordamento de dois rios: Paraitinga e Jacuí, e isso afeta a principal fonte de renda da região, que vem da pecuária e da produção de leite, em torno de 60 mil litros por dia.

Ele disse que a energia elétrica foi parcialmente restabelecida e que a grande dificuldade de socorro técnico é a péssima situação das estradas. De acordo com Cunha, foram registradas na região mais de 400 queda de barreiras, além de as enchentes terem comprometido o estado das pontes, impedindo o acesso por terra a várias localidades.

Para minimizar o drama dos desabrigados ou desalojados, cujo número ainda está sendo calculado, a prefeitura tem obtido doações e só o volume enviado pela Defesa Civil do estado  inclui 300 cestas básicas e produtos para higiene pessoal.

Vale do Paraíba

A situação de algumas cidades localizadas às margens do Rio Paraíba do Sul, no Vale do Paraíba, também preocupa. Cerca de 500 famílias foram desalojadas na região.

Em Guaratinguetá, o nível do rio atingiu cerca de 4,5 metros de excesso na virada do ano. Nos bairros Jardim Primavera, Santa Rita, Jardim do Vale e imediações, cerca de 100 famílias tiveram suas casas tomadas pelas águas.

Em Caçapava, o nível do Paraíba chegou a subir seis metros. Vários pontos de alagamento foram registrados, principalmente nos bairros Vila Paraíso e Beira Rio. O bairro Piedade também sofreu com a enchente e, no bairro Germana, parte de uma ponte quebrou.

Em São José dos Campos, as águas atingiram oito bairros. Cerca de 30 famílias estão desalojadas no bairro Mirante do Buquirinha, o único local onde a enchente continua. A cidade de Jacareí, por sua vez, registra 29 famílias desalojadas.

O nível das águas dos reservatórios de Paraibuna e do Jaguari está perto de atingir seu limite. Os dois reservatórios influenciam no nível do Rio Paraíba do Sul. Segundo a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), depois de 13 anos o nível alcançou o vertedouro, que dá vazão às águas quando elas atingem o máximo permitido nas barragens.

    Leia tudo sobre: são luiz do paraitinga

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG