Drama sobre família turca sai consagrado do festival de San Sebastián

San Sebastián - O filme turco Pandoras Box, da diretora Yesim Ustaoglu, um drama sobre o abismo entre gerações de uma família turca, ganhou hoje a Concha de Ouro de melhor longa-metragem do 56º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián.

EFE |

O diretor Jonathan Demme, que como presidente do júri da seção oficial revelou a lista de ganhadores, declarou que entre os 15 longas que concorriam a prêmio "havia muitos mais filmes que agradavam ao júri do que prêmios" a entregar.

Ele explicou também a decisão de reconhecer o trabalho de Michael Winterbottom concedendo-lhe o prêmio de melhor direção por seu filme "Genova".

Demme louvou na quinta-feira passada, em declarações à imprensa, um estilo cinematográfico mais próximo do documentário e isto dá sentido ao prêmio concedido a Winterbottom por "Genova", também um relato sobre uma família em crise, ambientado nessa cidade italiana e que o britânico rodou com muita técnica.

No entanto, a decisão do júri provocou alguns assobios de desaprovação entre os presentes.

Erraram as apostas que davam como ganhador um outro drama familiar, o filme japonês "Auritemo, auritemo", de Hirokazu Kore-Eda e acertaram mais as previsões a respeito dos prêmios de interpretação.

A Concha de Prata de melhor interpretação masculina foi para Oscar Martínez, protagonista de "El Nido Vacío", do argentino Daniel Burman, uma viagem em torno da crise de meia idade de um escritor de sucesso.

Este filme hispano-argentino obteve também o prêmio de melhor fotografia pelo trabalho de Hugo Colace.

"O júri não entende de cotas nem de nacionalidades", declarou o diretor da mostra, Mikel Olaciregui, que considera que nesta edição o festival "se mostrou vivo, provocando o debate com seu cinema e favorecendo encontros profissionais".

A americana Melissa Leo, protagonista de "Frozen River", da estreante Courtney Hunt, e a veterana atriz francesa Tsilla Chelton, de "Pandora's Box", compartilharam o prêmio de melhor atriz em uma edição com grandes atuações femininas.

"Foi uma decisão de grande dificuldade e que tomou do júri muito tempo de deliberação", explicou Demme, empenhado em ressaltar que eles gostariam de conceder uma Concha de Prata de igual peso para cada uma das duas intérpretes.

O prêmio de melhor roteiro ficou com Benoit Delepine e Gustave Kervern, que assinaram e dirigiram a comédia francesa "Louise-Michel".

O iraniano "Asbe du-pa" ("Two-legged Horse"), de Samira Makhmalbaf, obteve um discutido prêmio especial do júri, debaixo de vaias, alcançando o mesmo reconhecimento que no ano passado conseguiu sua irmã Hana Makhmalbaf pelo filme "Buda az sharm foru rikht" ("Buddha Collapsed out of Shame").

O filme de Makhmalbaf conta a história de um jovem camponês que encontra trabalho transportando uma criança mutilada a uma mina, e serviu ao júri para destacar "o compromisso da seleção deste ano com a realidade dos jovens em um complexo mundo como o de hoje".

Nas seções paralelas, o novo trabalho dos irmãos Coen, "Burn After Reading", conquistou o prêmio do público e o argentino "Amorosa Soledad", de Martín Carranza e Victoria Galardi, o da juventude.

Fora do concurso oficial, o filme guatemalteco "Gasolina", estréia de Julio Hernández Cordón, ganhou o prêmio horizontes de melhor filme da seção latino-americana.

Os mexicanos "Parque Vía", de Enrique Rivero, e "Intimidades de Shakespeare y Víctor Hugo", de Yulene Olaizola, obtiveram uma menção especial, por unanimidade, segundo anunciou a presidente do júri da seção Horizontes Latinos, Mirtha Ibarra, em coletiva de imprensa.

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