Doze suspeitos de fraude em concursos públicos tomaram posse

Segundo a PF, beneficiados ocupam cargos na Agência Nacional de Aviação Civil e na Agência Brasileira de Inteligência

AE |

A Operação Tormenta - investigação da Polícia Federal sobre fraudes em concursos públicos e no exame de registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - identificou 45 candidatos aprovados nos concursos mais recentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). As investigações apontam que eles tiveram acesso antecipado ao caderno de questões.

Segundo a PF, há provas de que 12 beneficiados pela fraude foram nomeados e tomaram posse. Na Anac, de 36 envolvidos que receberam cópia das provas, 8 ocupam cargo de analista e 3 exercem função de técnico. Na Abin, ligada ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, ficou comprovado que 9 concursados receberam o caderno e passaram no concurso, sendo que um deles tomou posse como oficial de inteligência.

A PF informou que vai pedir à Justiça a prisão preventiva de todos os candidatos ligados diretamente à organização criminosa. Um dos 11 que já trabalham em repartições da Anac é a irmã de um policial rodoviário federal preso como um dos principais alvos do inquérito.

Operação Tormenta

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A operação foi deflagrada em 16 de junho por ordem do juiz Herbert de Bruyn Junior, da 3.ª Vara Federal em Santos. A PF cumpriu 34 mandados de busca e apreensão na Grande São Paulo, Rio, Baixada Santista e região de Campinas. Foram presos 12 suspeitos, dos quais 6 continuam detidos.

As investigações, segundo o  órgão, tiveram início em 2009 durante um concurso para Agente da PF. A partir dele, a polícia descobriu que havia uma quadrilha que conseguia acesso aos cadernos de questões antes da data de aplicação das provas. Além do próprio concurso da PF, o grupo teria acesso privilegiado às provas da 2ª fase do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), realizado neste ano, e do concurso da Receita Federal (Auditor-Fiscal/1994).

Conforme a polícia, o grupo atuava em diversas frentes e realizava desde o aliciamento de pessoas que tinham acesso ao caderno de questões até o repasse de respostas por ponto eletrônico durante a realização do concurso e a indicação de uma terceira pessoa mais preparada para fazer a prova no lugar do candidato. Além disso, a quadrilha também é suspeita de falsificar diplomas quando o cliente não possuía a formação exigida.

Entre os órgãos cobiçados estavam a Receita Federal e Polícia Federal, cujos salários chegam a R$ 20 mil mensais. Dependendo do nível salarial do concurso, o valor da prova variava de US$ 50 a US$ 150 mil.

*Com informações do iG São Paulo

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