Dormir mal ou pouco pode prejudicar saúde e até vida profissional

Palpitação, falta de ar e sonolência são apenas alguns dos problemas de noites mal dormidas. No entanto, falta de concentração e lapsos de memória também são apontados por especialistas como reflexos dos distúrbios do sono.

Agência Estado |

Dormir pouco ou mal, além de prejudicar a saúde, afeta a vida profissional e pessoal. Segundo o Instituto do Sono, vinculado a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cerca de 70% dos paulistanos já tiveram problemas relacionados ao sono em algum momento.

De acordo com uma pesquisa da Academia Brasileira de Neurologia aplicada a 40 mil pessoas, cerca de 40% dos brasileiros não conseguem dormir bem. Ainda que a resolução de muitos desses casos dependa do tratamento de distúrbios, outros podem experimentar melhora por meio de algumas medidas de higiene do sono. "É preciso se preparar para dormir. Não adianta chegar em casa e pular na cama. Banho morno e leite quente podem ajudar a baixar a adrenalina. Evite alimentos estimulantes, como café", recomenda o médico Flávio Magalhães da Silveira, coordenador do Sleep - Laboratório do Sono.

Outra dica é manter o quarto escuro. "A falta de luz favorece a liberação do hormônio melatonina, que estimula a sonolência", observa o neurologista Rubens Reimão, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). O profissional não condena o uso de medicamentos homeopáticos para dormir, como os compostos à base de passiflora, valeriana e melissa, mas recomenda cautela "Devem ser usados para insônias transitórias, se o problema persistir vá ao médico."

Reimão diz que produtos eletrônicos são vilões do sono quando usados sem controle. "Antes era a televisão que diminuía as horas de sono, agora é a internet, sobretudo para os jovens. Dormir com a TV ligada é péssimo, o melhor seria desligá-la dez minutos antes de deitar", indica.

Além de prejudicar a saúde individual, o sono pode afetar a coletividade. Segundo dados da Unifesp, entre 27% e 32% dos acidentes de trânsito no mundo são provocados por motoristas que dormem enquanto dirigem. Não é à toa que a nova resolução do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), proposta há três meses, determinou que todos os motoristas profissionais, de caminhão, ônibus e reboque, passem por exames para detectar possíveis distúrbios do sono.

Dormidores

De acordo com o neurologista Rubens Reimão, do Hospital das Clínicas, 90% dos adultos jovens necessitam dormir entre sete horas e meia e oito. "Só 5% da população consegue dormir menos sem perder a disposição: são os dormidores curtos. Outros 5% estão entre os dormidores longos, que precisam de nove ou mais horas", explica.

Fragmentar o sono durante o dia ou compensá-lo nos fins de semanas não são práticas consideradas adequadas pelos especialistas. A popular sesta, o cochilo à tarde, é saudável desde que não passe dos 30 minutos. Além disso, o uso indiscriminado de tranqüilizantes é criticado por especialistas. Segundo o presidente da Comissão de Sono da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Flávio Magalhães, esses medicamentos podem causar. "Fazer dormir é fácil. Difícil é educar os próprios médicos para que investiguem a causa da insônia, já que ela pode ser sintoma de várias doenças."

Giuliana Reginatto

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