SÃO PAULO - Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com profissionais do Hospital das Clínicas de São Paulo apontou que 28,7% da população brasileira sofre dores que persistem por pelo menos três meses. A pesquisa mostra também que quase um terço da população não utilizou medicamentos para tratar dores nos últimos 12 meses.

Entre as dores mais frequentes, estão problemas na coluna (22,1%), dor de cabeça/enxaqueca (19,6%) e ansiedade ou outros transtornos psiquiátricos (14%). A pesquisa revela, também, que dores crônicas são mais comuns entre mulheres. 34% das mulheres sofrem com dores deste tipo. Entre os homens, a quantidade cai para 20%.

Os adultos entre 50 e 59 anos são os que mais sofrem. 35,9% deles têm dores crônicas. O grupo menos atigido é o que vai de 18 a 29 anos. 20,4% apresentam problemas desta natureza.

Pessoas obesas também figuram no grupo dos mais afetados.  38,5% dos obesos sofrem com alguma doença crônica.

A população não utiliza medicamentos para tratar a dor e quando o faz, frequentemente faz uso de automedicação para controlar o problema, explica Manoel Jacobsen, chefe do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas de São Paulo e um dos autores do estudo.

Para Jacobsen, muitas pessoas não tratam a dor crônica pois acreditam que não existe cura e que ela deve ser suportada. Essa idéia é muito prejudicial para o tratamento da dor. Por exemplo, muitos indivíduos imaginam que a cefaléia não tem cura, o que não é verdade completa. Aproximadamente um terço dos indivíduos com dor crônica afirmou que não utiliza nenhum medicamento para tratar a dor nos últimos 12 meses.

A dor crônica é negligenciada no País. Vivemos esta situação e a população precisa ser informada sobre as opções de tratamento. Ninguém precisa viver com dor, completa Karine Leão, coordenadora do Grupo de Dor do HC, também autora do "Epidor".

Os resultados preliminares do estudo "Epidor" foram apresentados nesta quinta-feira em São Paulo. A pesquisa foi coordenada pela professora Maria do Rosário Dias de Oliveira Latorre, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, em parceria com profissionais do Hospital das Clínicas.

No estudo, foram realizadas 2401 entrevistas com pessoas maiores de 18 anos, moradoras no município de São Paulo. O objetivo da pesquisa, inédita neste modelo na América Latina, foi avaliar a prevalência de dor crônica na população, suas causas, gravidade, duração e local da dor. Os achados foram relacionados ao sexo e idade.

Um detalhe da pesquisa é que, mesmo feita apenas com moradores da cidade de São Paulo, traz conclusões referentes a todo o Brasil. De acordo com os pesquisadores, isso é possível porque em São Paulo há cidadãos originários de todas as regiões do País. 

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