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Donos de bares e restaurantes fazem o que podem para se adaptar à lei contra o fumo

Após ter o pedido de inconstitucionalidade da lei ¿antifumo¿ negado, os donos de bares e restaurantes não tem para onde correr. Têm que se adaptar às novas regras. Desde que foi sancionada em 7 de maio, a lei nº 577 proíbe o fumo em locais fechados de uso público. Mas só a partir do dia 6 de agosto, os estabelecimentos poderão ser penalizados. Com medo das multas, os estabelecimentos já começaram a fazer seus ajustes.

Bruno Rico, do Último Segundo |

Bruno Rico
Paulo Macedo, epicure-sommelier que teme perder o emprego
Paulo Macedo, epicure-sommelier
que teme perder o emprego
Além das casas noturnas, talvez um dos lugares que mais sofram com a nova lei sejam as tabacarias que, além de cigarros e charutos, vendem bebidas e comidas. Estes estabelecimentos não vão mais poder vender bebidas ou comidas. O governo alega que isso abriria uma janela na lei para que bares comuns inscrevessem sua razão social como tabacarias e liberassem o fumo em seus estabelecimentos.

Dias antes de a lei ser aprovada, o funcionário de uma tabacaria Paulo Macedo disse que temia ficar desempregado. Ele é epicure-sommelier. Seu trabalho é indicar combinações de pratos e bebidas com charutos em uma tabacaria em São Paulo. Uma coisa aqui não sobrevive sem a outra. Se a gente não puder vender bebida e comida, a casa vai fechar.

Procurado pela nossa reportagem, Paulo ainda está apreensivo e não tem certeza do que vai acontecer. O governo afirma que a regulamentação da lei ainda pode sofrer alterações. Vamos tentar manter nosso trabalho como está, mas não queremos problemas com a justiça. O epicure-sommelier aguarda que um fiscal passe na tabacaria para poder se informar melhor.

A gente já mandou fazer um cartaz que informa que este é um estabelecimento destinado ao fumo. Além dos funcionários e donos, a clientela também teme perder o espaço. Eles não veem tanta graça em fumar um charuto em casa. Querem vir aqui harmonizar o charuto com uma bebida. Falaram até em fazer um abaixo assinado.

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cigarro
Lei nº 577 preve punições de R$ 792,50
até R$ 3 milhões
Gerente comercial de uma tabacaria, mas com opinião inversa, Marisa Carvalho aposta que o clientela vai aumentar. Sua tabacaria que não vende bebidas alcoólicas nem comidas. Vamos ser um dos únicos lugares em que o fumante vai poder ir tranquilamente.

Mas, entre donos de bares e restaurantes, a indignação é grande. A gente faz o que pode. Mas não pode fazer quase nada. Marcio Pinto de Souza é dono de um bar-restaurante na Vila Madalena, em São Paulo. Tudo o que fizemos foi tirar os cinzeiros das mesas. E o pior é que já teve cliente que foi embora por causa disso, reclama.

O também dono de bar Helton Altman está revoltado. Achamos que essa lei tem erros brutais contra a liberdade individual. Enquanto eu não for multado, não vou alterar nada. Ele sabe que, a partir do dia 6 de agosto, terá que pendurar um cartaz com recomendações sobre o fumo e tirar os cinzeiros das mesas. Vou colocar um cinzeirão num barril de chopp lá fora para não jogarem a bituca na rua. Se fumarem dentro do estabelecimento, vou ter que abordar as pessoas para apagarem. Helton fará a fiscalização por obrigação, não porque concorda. Ele põem o ônus da culpa para o dono. Eu não tenho dom de detetive nem investigador, mas vou ter que proibir senão eu pago a multa.

Uma forma que alguns bares devem adotar é facilitar para que seus clientes possam sair para fumar. A gente vai ter que reformular a portaria para as pessoas poderem entrar e sair. Rosana Santos é gerente administrativa de um pub, espécie de bar inglês. Mas fora isso, realmente não tem muito o que fazer.

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