Donos da holding de moda I¿M são destituídos da gestão por credores

Desde ontem, os investidores Enzo Monzani e Conrado Will não estão mais à frente da holding de moda IM, que além da Zoomp, é dona da Clube Chocolate e da grife Fause Haten. Após uma dura negociação, o fundo carioca Global Capital, um dos principais credores da companhia, conseguiu destituí-los da gestão financeira e administrativa.

Agência Estado |

A saída da dupla foi a condição imposta pelo fundo para a entrada de um novo aporte de capital no valor de R$ 20 milhões. A expectativa é que o dinheiro devolva fôlego ao grupo, hoje envolvido em graves problemas financeiros.

Os investidores não venderam as ações, mas a partir de agora a IM será comandada por um comitê formado por sete membros - quatro indicados pela Global Capital e três apontados por Enzo e Conrado. O contrato foi assinado na terça-feira passada. "Estamos montando uma força-tarefa. Ao mesmo tempo que contratamos uma auditoria (KPMG) para descobrir o tamanho real da dívida, vamos fazer um plano de negócios para restabelecer o fluxo de mercadorias na Zoomp, que é a prioridade agora, pois representa 90% da receita do grupo", afirma o presidente da IM, Vicente Mello.

A situação crítica do grupo ficou mais visível com a saída do estilista Alexandre Herchcovitch no mês passado. Há duas semanas, a Zoomp praticamente parou. Algumas confecções deixaram de entregar mercadorias por falta de pagamento. Os salários dos funcionários também estava atrasado desde o dia 5 de abril.

Entre ontem e hoje, a conta da Zoomp estará recebendo a primeira remessa do aporte, no valor de R$ 3,5 milhões. A prioridade, segundo Mello, é acertar as contas com os funcionários, prestadores de serviços e fornecedores de mercadorias prontas. Cerca de 40 fornecedores devem ser pagos nesse primeiro momento.

Em 15 dias, está previsto um novo depósito. O dinheiro, de acordo com o executivo, é suficiente para fazer a roda girar novamente. "Se o recebimento de mercadorias é restabelecido, a Zoomp volta a faturar."

Como foi recente, a interrupção na entrega de roupas não chegou a prejudicar o resultado da Zoomp no primeiro trimestre do ano, explica Mello. De acordo com ele, as vendas da empresa cresceram 28% nos três primeiros meses em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Apesar do cenário tumultuado, a Global Capital vê na Zoomp um negócio promissor. No ano passado, ela emprestou quase R$ 30 milhões ao grupo, segundo fontes próximas à empresa. A dívida ainda existe, mas o fundo resolveu fazer uma segunda aposta pois acredita no projeto, explica Mello. A Global Capital decidiu condicionar o novo empréstimo à saída de Enzo e Conrado porque houve quebra de confiança.

A Global Capital nasceu de um braço da administradora de recursos Globalvest, que por sua vez sucedeu a Latinvest, cujos sócios eram Luiz Fraga (hoje na Gávea com seu primo Armínio Fraga) e Peter Gruber. A empresa não se dedica a fundo de ações, atua exclusivamente na gestão de crédito para empresas de médio porte e de baixo risco.

BenQ

A Zoomp é o negócio menos problemático de Enzo e Conrado. O grande imbróglio estava na fabricante de celulares BenQ, que acumula dívidas de R$ 300 milhões. Os investidores se livraram do negócio há duas semanas. A notícia ainda não foi divulgada, mas segundo o Estado apurou os funcionários foram avisados da mudança de dono no começo deste mês.

O representante do novo - e misterioso - acionista foi apresentado aos executivos. Ele é brasileiro e está morando em um flat em Manaus, onde fica a fábrica da BenQ. O comprador seria o empresário Gilberto Escauriza, um paraguaio que vive em Miami e vende eletrônicos (inclusive celulares) na América Latina.

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