A Divisão de Crimes Contra a Saúde Pública do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) prendeu nesta terça-feira (18/08) o proprietário da distribuidora de medicamentos Oncofarma, Maurício Rei. A denúncia é de que a rede adquiria remédios roubados de unidades públicas de São Paulo e realocava no mercado, vendendo a mercadoria para clínicas e redes de hospitais de cinco Estados: São Paulo, Rio, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.


Rei foi preso no início da tarde de desta terça-feira, em flagrante, após investigação policial que começou há cinco meses. Para o delegado Alexandre Zakir, que conduziu o caso e trabalha na Corregedoria da Secretaria de Estado de Saúde, o dono da distribuidora é um braço de uma quadrilha já identificada que causou prejuízo de R$ 20 milhões aos cofres públicos, apenas com remédios roubados no último ano.

"Já identificamos outros integrantes dessa organização criminosa, formada por muitas pessoas", afirmou Zakir. "As suspeitas começaram quando uma quantidade elevada de hospitais foram roubados ou furtados. Em todos os crimes, os bandidos agiam de forma parecida", completa.

O primeiro caso, que deu origem à investigação, foi o assalto ao ambulatório da Vila Mariana, na zona sul da capital, ocorrido em março, quando foram levados R$ 6 milhões em drogas terapêuticas. Depois disso, os hospitais Mário Covas, de Guarulhos, Ribeirão Preto e até a Faculdade de Medicina da USP foram roubados.

O prejuízo de R$ 20 milhões é referente a vários tipos de medicamentos, mas a participação da Oncofarma, diz a polícia, seria na distribuição de remédios para o tratamento de câncer sem procedência informada.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, apenas neste ano, a Oncofarma comercializou 250 caixas do remédio mabthera, usado para tratar diversos tipos de tumores, todas sem nota fiscal apresentada. Cada embalagem tem custo médio de R$ 5 mil.

A ação policial de ontem foi deflagrada em Poços de Caldas, cidade de Minas Gerais. O Estado apurou que várias clínicas e hospitais do município foram visitados por serem compradores da Oncofarma, inclusive uma grande rede de saúde. A polícia informou que o próximo passo será acionar todos os clientes da distribuidora para prestar esclarecimentos.

A reportagem entrou em contato com o 0800 da empresa acusada e a ligação foi atendida pela mulher de Rei. Ela negou até mesmo que o marido havia sido preso.

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