GOIÁS - O dono do carro usado por Mohamed DAli Santos, de 20 anos, suspeito da morte e esquartejamento da inglesa Cara Marie Burke, se apresentou à polícia espontaneamente na manhã desta terça-feira para prestar depoimento. Segundo o delegado Carlos Raimundo Batista, um dos responsáveis pelo caso, Cristiano Carvalho da Silva, de 27 anos, será indiciado pelo crime de ocultação de cadáver, pois de alguma forma contribuiu para o fato. Como deixou o carro ser usado e não ter comentado nada a polícia e a ninguém, ele será indiciado.

Futura Press
De acordo com o delegado, Cristiano afirmou em depoimento que Mohamed pediu o carro emprestado sem lhe dar maiores explicações. "Durante o trajeto, Cristiano foi informado por Mohamed que havia um corpo no carro. Após isso, Cristiano disse que optou por descer do veículo e não participar do ato".

"Mesmo tomando essa atitude, ele não procurou pela polícia para denunciar Mohamed. Se tivesse feito isso, com certeza, não teriamos motivos para indiciá-lo", afirmou Batista.

O delegado José Maria, tembém responsáveis pela investigação, afirmou que Cristiano Silva disse que não se apresentou anteriormente porque ficou assustado com a repercussão do caso e tinha medo de ser tratado como cúmplice na morte da inglesa.

Corpo encontrado

Na segunda-feira, o Corpo de Bombeiros de Goiás encontrou a cabeça da jovem inglesa, no Ribeirão Sozinha, em Bonfinópolis (GO), a cerca de 30 quilômetros da capital de Goiás. Segundo o delegado Carlos Raimundo Batista, da Delegacia de Homicídios da cidade, a única parte do corpo que ainda não foi encontrada é a perna esquerda.

Mais cedo, na parte da manhã, os bombeiros já haviam encontrado dois braços, que podem ser da jovem inglesa. No domingo, os bombeiros encontraram uma perna e pedaços de pele que podem ser de Cara nas proximidades do Sozinha.

Entenda o caso

Mohamed é suspeito de esfaquear, matar, esquartejar e jogar os pedaços do corpo da estudante inglesa Cara dentro de dois rios em Goiânia. Ele foi preso na última quinta-feira, dia 31, no setor universitário de Goiânia.

De acordo com o comandante do Batalhão de Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam), Cláudio de Oliveira, o suspeito confessou o crime e disse que resolveu matá-la, pois ela iria contar para seus pais e à polícia que ele era viciado em cocaína. 

Mohamed não ofereceu resistência à prisão e foi classificado como uma pessoa extremamente fria. Ele informou não ter cometido o crime sob o efeito do entorpecente e diz que costuma usar cocaína com freqüência. 

Depois de tê-la esfaqueado e matado, segundo a polícia, o rapaz guardou o corpo de Cara no box do banheiro e foi a uma festa. No domingo, resolveu esquartejá-la para facilitar a retirada do corpo do imóvel. O ato foi feito com uma faca grande com cabo branco, como as de açougueiro, contou Oliveira. Em seguida, colocou o tórax da adolescente em uma mala e jogou dentro do Rio Meia Ponte, na Região Leste de Goiânia.

Não satisfeito, ainda segundo a polícia, dirigiu 60 quilômetros com as outras partes do corpo ¿ membros e cabeça - da vítima no carro e jogou-as em outro rio. Elas ainda não foram encontradas pela PM, que atua com duas equipes e com mergulhadores para tentar localizá-las. 

O rio, segundo o major, é bastante raso, o que deve facilitar o trabalho da polícia. Os bombeiros auxiliam nas buscas e a polícia científica está no apartamento onde ocorreu o crime.

A faca utilizada no ato foi encontrada dentro de um bueiro na rua da casa do suspeito. Segundo a polícia, o rapaz conheceu a menina em Londres, em um intercâmbio e não era namorado da garota. 

A jovem foi identificada pela família através de duas tatuagens, exibidas em um canal internacional de notícias. 

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Goiânia. A embaixada britânica em Brasília informou que tomou ciência do caso e está acompanhando o trabalho da polícia de Goiás. 

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