Dona de creche em Goiânia deve ser denunciada por tortura

Delegada pretende concluir inquérito em dois dias e pedir novamente a prisão de Maria do Carmo Serrano, de 62 anos

iG São Paulo |

A delegada Adriana Sauthier Accorsi, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), afirmou ao iG, nesta segunda-feira, que pretende concluir em dois dias o inquérito sobre as agressões sofridas pelas crianças na creche Bebê Feliz, localizada no Parque das Laranjeiras, região sul de Goiânia.

nullAo término da investigação, Adriana afirma que irá pedir novamente a prisão de Maria do Carmo Serrano, de 62 anos, dona do local. O primeiro pedido de prisão temporária da suspeita foi negado pelo juiz José Carlos Duarte, da 7ª Vara Criminal.

Em imagens gravadas por uma câmera escondida, Maria aparece dando tapas, chacoalhando e gritando com as crianças. Em determinado momento, uma delas é jogada em um colchão de cabeça para baixo.

Segundo a delegada, o crime de maus tratos é muito pouco perto do que Maria cometeu. "Maus tratos é uma coisa bem leve mesmo, não cuidar bem da higiene, dar um tapa. Agora, tratar aos gritos, obrigar a comer vômito, sentar em xixi, trancar em banheiro escuro até parar de chorar é tortura", diz ela ao iG.

Entre os castigos aplicados por Maria, também estaria raspar a mão das crianças na parede. Uma delas aparece na gravação reclamando que está saindo sangue do dedo.

De acordo com Adriana, 15 pessoas foram ouvidas até a tarde desta segunda-feira, sendo a maioria pais de alunos. Eles confirmaram mudança no comportamento dos filhos. "Cada pai traz uma história em que demonstra que estava acontecendo maus tratos, mudança de comportamento, distúrbios, falta de apetite, perda de peso, agressividade", afirma.

Alguns, segundo ela, também perceberam machucados nos filhos. "Ela sempre tinha uma justificativa para eles, de que tinham se machucado brincando com coleguinhas. Mesmo as crianças manifestando desagrado e chorando, eles dizerm que nunca imaginaram", afirma a delegada. Pelo menos mais 20 pessoas devem ser ouvidas até quarta-feira.

Maria do Carmo possuía a creche Bebê Feliz desde 2009, mas, conforme a polícia, há pelo menos 9 anos trabalha cuidando de crianças e já foi dona de outras escolas. Adriana explica que a investigação está focada neste caso de Goiânia, mas faz um apelo aos pais cujos filhos já ficaram aos cuidados de Maria. "Não temos como descobrir de todos que ela cuidou, a gente espera que eles procurem a polícia", diz.

Denúncias

As denúncias de maus-tratos chegaram de forma anônima à polícia há cerca de um mês. Para colher as provas, a polícia entrou em contato com funcionários da creche para que as filmagens fossem feitas. No momento, o berçário tinha 22 crianças matriculadas, de 0 a 4 anos. Os pais pagavam cerca R$ 300 por mês.

À imprensa, a funcionária da creche Ana Paula Souza, que fez as imagens, afirmou que sempre viu a dona da creche agredindo as crianças. "Eu trabalho lá há sete meses. Desde quando entrei eu venho vendo essas agressões. Não só físicas, como verbalmente".

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