BRASÍLIA (Reuters) - Os senadores Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e João Ribeiro (PR-TO) renunciaram nesta quarta-feira às suas cadeiras no Conselho de Ética do Senado, um dia depois de serem eleitos para as vagas. A decisão dos parlamentares ocorreu em meio à demora na instalação do conselho e a uma disputa pela presidência do colegiado, que poderá ter importante papel na apuração das eventuais responsabilidades do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), por supostas irregularidades na gestão da Casa.

Valadares, que chegou a ser cotado para presidir o Conselho de Ética, fez o anúncio durante a sessão do Senado.

"Considero altamente prejudicial ao trabalho de recuperação da imagem do Senado o adiamento da instalação do Conselho de Ética, o qual, há cerca de seis meses, não funciona e sequer, até a presente data, elegeu seu comando diretivo", discursou.

"Peço ao eminente líder senador Aloizio Mercadante (PT-SP) a substituição do meu nome como membro do Conselho de Ética. Essa é uma decisão irrevogável que estou comunicando ao plenário do Senado", concluiu.

Em seguida, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que presidia a sessão, leu uma carta enviada à Mesa Diretora da Casa por Ribeiro.

"Estou declinando de tão importante cargo unicamente por razões particulares", alegou Ribeiro por meio do documento.

Segundo integrantes do Conselho de Ética, o PMDB quer obter a presidência do órgão. A oposição ameaça obstruir a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) na sessão do Congresso marcada para as 16 horas se o conselho não for instalado.

(Reportagem de Fernando Exman)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.