Dois procurados no desabamento em Belém estavam em casa

Os operários saíram do local antes do acidente. Outos dois seguem desaparecidos e os bombeiros encontraram apenas um corpo

Fábio Nóvoa, iG Pará |

Dois dos quatro operários que estariam na obra do edifício Real Class, que desabou neste sábado em Belém, capital do Pará, foram encontrados vivos e fora dos escombros. Assim, apenas dois deles ainda estão desaparecidos. Os bombeiros seguem com as buscas. 

Luis Nazareno Lopes e Isaias Marques Maffra foram encontrados vivos e em casa. Os dois saíram antes do desabamento, mas não tinham feito nenhum contato com as autoridades. Permanecem desaparecidos: Manoel Raimundo da Paixão Monteiro e José Paulo Barros.

A Defesa Civil sustenta que o primeiro corpo encontrado na manhã deste domingo nos escombros do prédio na avenida 3 de Maio é de Maria Raimunda Ribeiro Fonseca, de 67 anos.O corpo foi encontrado por volta das 5h da manhã. Maria morava em uma das duas casas que ficava ao lado do edifício e que foram soterradas. Familiares da vítima estiveram no Instituto Médico Legal e não conseguiram reconhecer o corpo. Um exame de DNA será feito para confirmar a identidade da vítima.

Desabamento causou pânico

Às 14h de sábado a obra de 15 andares construídos desabou. A construção, entre avenidas Governador José Malcher e Magalhães Barata, bairro de Nazaré, ficava em um dos locais mais movimentados de Belém.

Três prédios próximos tiveram de ser evacuados e 200 pessoas aguardam análise dos técnicos para voltar para casa em segurança. O edifício Blumenau, de 20 andares, ao lado da obra que desabou, foi vistoriado e segundo o comando do Corpo de Bombeiros teve a estrutura comprometida e poderia desabar.

Moradores só foram liberados para pegar pertences na tarde deste domingo. Mesmo assim, os Bombeiros aguardam laudo da Defesa Civil para avaliar as reais condições do local. Os outros dois edifícios já foram liberados. Bombeiros e entidades de defesa ajudaram a retirar os animais dos locais evacuados.

O edifício Real Class teria 32 andares se ficasse pronto. A energia de todo o quarteirão foi cortada. O trabalho de resgate e retirada dos escombros continuou por toda a madrugada. Centenas de funcionários da Defesa Civil, Policia Militar, Policia Civil, Guarda Municipal, Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, voluntários da Cruz Vermelha e soldados do exército se juntaram ao Corpo de Bombeiros no trabalho de resgate das possíveis vítimas, no controle de acesso ao local e na organização do trânsito.

"Perdi amigos lá embaixo"

Para José Pereira dos Santos, 32 anos, o dia não será mais esquecido. Ele era operário da construção e saiu apenas uma hora antes do desabamento. “Estou me sentindo péssimo. Trabalhava há um ano aí e acho que perdi amigos lá em baixo”, emociona-se.

O Governador do Estado, Simão Jatene, disse que o governo também irá apurar possíveis responsáveis pela tragédia. “Fizemos o necessário para evacuar o local e fazer as vistorias. Recebemos informações de pessoas que já haviam denunciado a obra para as autoridades do Estado. Vamos investigar tudo e apurar as responsabilidades”, declarou.

Ministério Pública vai investigar

A empresa responsável pela obra, Real Engenharia, divulgou nota à imprensa: "A Real Class Spe, proprietária do edifício acidentado neste sábado, 29 de janeiro, em Belém, lamenta o ocorrido. A empresa está solidária com todos os envolvidos no acidente. E, ao mesmo tempo, garante que não medirá esforços para investigar as causas do episódio e dar assistência às pessoas atingidas pelo sinistro. Aguardando os laudos periciais, estamos à disposiçãol para os procedimentos que o caso exige."

Na noite de domingo, a Juiza Diana Cristina concedeu liminar ao Ministério Público do Estado para a busca e apreensão de documentos do edifício Real Class, da Real Engenharia. O MPE deve ir à sede da empresa, no bairro do Marco, na manhã desta segunda-feira.

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