Dois homens são presos durante operação da PM na Cidade Alta, no Rio de Janeiro

SÃO PAULO - Dois homens foram presos na tarde desta quinta-feira durante operação da Polícia Militar na Cidade Alta, no Rio de Janeiro. Eles são suspeitos de participar da tentativa de invasão ao Morro dos Macacos, em Vila Isabel, no último sábado. Além deles, cinco menores foram apreendidos por uso de drogas. Desde os confrontos iniciados no último sábado, quando um helicóptero da PM foi derrubado, 33 mortes foram confirmadas, 41 pessoas foram presas, 31 armas e cinco granadas foram apreendidas e cinco carros foram recuperados. Entre as vítimas fatais, a polícia afirma que há três inocentes e três policiais.

Redação |


Ao todo, a PM realiza operações em sete favelas cariocas durante o dia. Fogueteiro, Complexo dos Lins, Ladeiro dos Tabajaras, Botafogo, Kelsons, Manguinhos e Barreira do Vasco.

Agência Estado
Policiais Civis da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) realizam operação na Favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, para tentar encontrar os traficantes que no último sábado (17) abateram um helicóptero da Polícia Militar no Morro dos Macacos. O total de pessoas mortas desde o início dos confrontos no Rio já chega a 33, segundo a PM.
Policiais Civis da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) realizam operação na Favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro.

De acordo com balanço parcial da polícia, durante as operações na Cidade Alta, também foram apreendidos 362 pacotes de cocaína, 223 trouxinhas de maconha, 19 bolinhas de haxixe e uma pistola 765.

Comércio fechado

Mais cedo, o comércio amanheceu fechado no Rio Comprido , na zona norte do Rio de Janeiro. A ordem teria partido de criminosos em represália à morte do traficante "Leozinho dos Prazeres", no Morro da Fallet.

Outra operação para busca de drogas e bandidos foi realizada na tarde desta quinta-feira na Favela do Kelsons, na Zona Norte. De acordo com a polícia, quando o efetivo do 16º Batalhão chegou à favela, houve disparos. No entendimento da PM, no entanto, trata-se de uma prática comum dos traficantes, que serviria para avisar que a polícia chegou. A PM afirma que trabalha com reforço policial em diversas regiões da Zona Norte e central.

Na noite de quarta-feira, os corpos de dois homens mortos foram deixados em frente ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, na zona norte da cidade.

De acordo com a Polícia Militar, os dois seriam traficantes da Vila Cruzeiro e foram baleados ao trocar tiros na tarde de quarta-feira com agentes do 16º Batalhão (Olaria). O motorista da van que transportou os cadáveres disse ter sido ameaçados por homens armados para levar as vítimas.

Clima de tensão

Investigações da polícia fluminense indicaram que a ordem de invasão ao Morro dos Macacos que deu início à onda de violência teria partido do presídio federal de Catanduvas, no Paraná, onde estão presos chefes do tráfico de drogas no Rio.

Apesar de o Ministério da Justiça ter negado essa informação, o secretário estadual de Administração Penitenciária, Cesar Monteiro, voltou a afirmar que detentos foram os responsáveis pelo ataque.

"Nosso sistema não prevê isolamento pleno... Essa comunicação é possível de ser feita durante as visitas íntimas, não há incomunicabilidade de presos por longos prazos", disse ele a jornalistas.

A onda de violência na cidade nos últimos meses despertou preocupações internacionais quanto à realização dos Jogos Olímpicos de 2016, apenas duas semanas após o Rio ter vencido a concorrência de Chicago, Madri e Tóquio na eleição do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Para o ministro do Turismo, no entanto, os incidentes no Rio não devem prejudicar a vinda de turistas estrangeiros ao Brasil nos próximos meses.

"Não adianta esconder o sol com a peneira. Temos uma imagem mundial positiva e ganhamos projeção. A violência não é um problema do Rio, é das grandes metrópoles", disse a jornalistas durante visita à cidade o ministro Luiz Barretto.

Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu uma ajuda de R$ 100 milhões para reforçar a polícia do Rio, de acordo com o governador Sérgio Cabral.

Operação da PM deixa alunos sem aula; assista ao vídeo:

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