Doenças Sexualmente Transmissíveis atingem 10,3 mi de brasileiros, diz pesquisa

Pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo Ministério da Saúde revela que 10,3 milhões de brasileiros já tiveram algum sinal ou sintoma de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) ¿ 6,6 milhões de homens e 3,7 milhões de mulheres.

Redação com Agência Brasil |

Outro dado da Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos, indica que 18% dos homens e 11,4% das mulheres não procuram nenhum tipo de tratamento.

O levantamento informa que pacientes com indícios de DST  nem sempre recebem orientações adequadas. De acordo com os dados, 40% dos homens e mulheres que recorreram aos consultórios não foram informados sobre a necessidade do uso de preservativo e de comunicar a doença aos parceiros.

Agência Brasil
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ao lado da diretora do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, que fala durante a divulgação do resultado de pesquisa
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ao lado da diretora do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, que fala durante a divulgação do resultado de pesquisa

Apenas 30% dos homens e 31,7% das mulheres que procuraram atendimento foram orientados a fazer o teste de HIV. A recomendação para o exame de sífilis foi ainda menor: 24,3% para eles e 22,5% para elas.

O estudo revela que 25% dos homens brasileiros que apresentam algum sinal ou sintoma de doenças sexualmente transmissíveis (DST) ¿ ou um em cada grupo de quatro ¿ se automedicam. O número cai para apenas 1% quando o foco são as mulheres.

HIV

A estimativa da pasta é que 600 mil pessoas vivam com o vírus HIV no Brasil. Dessas, pelo menos 250 mil nunca fizeram o teste e não sabem que estão infectadas.

Para Mariângela, um dos desafios no País é facilitar que a informação chegue aos parceiros, possibilitando a quebra da chamada cadeia de transmissão. Outra prioridade, segundo ela, é que os profissionais de saúde estejam mais atentos e ofereçam orientações adequadas aos que procuram o serviço. Não é só orientar sobre o preservativo. Orientações complementares são extremamente importantes, disse.

Para a secretária de Saúde substituta do ministério, Heloísa Machado, as DST representam um importante problema de saúde pública. A frequência de reinfecção, a elevada taxa de transmissibilidade e as graves consequências, segundo ela, são fatores que  indicam a necessidade de iniciativas voltadas para a prevenção e o controle.

De acordo com o ministério, os problemas causados pelas DST podem aumentar em 18 vezes o risco de infecção pelo vírus HIV.

Grupos mais afetados

Os homens brasileiros têm 31,2% mais riscos de apresentar algum sinal ou sintoma de doenças sexualmente transmissíveis (DST) do que as mulheres, aponta o levantamento.

O total de homens negros que relataram sinais ou sintomas de doenças sexualmente transmissíveis (DST) é de 19% enquanto o índice para homens brancos é de 13,8%.

Segundo o estudo, manter relações sexuais com parceiros do mesmo sexo mais do que dobra a probabilidade de uma pessoa apresentar sinais de DST. Indivíduos que tiveram mais de dez parceiros na vida têm 65% mais possibilidade de contrair alguma doença sexualmente transmissível.

Medo de contar

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que os brasileiros ainda têm medo de contar aos parceiros que contraíram alguma doença sexualmente transmissível.

Estamos falando de doenças que, na maior parte dos casos, têm cura, mas ainda estão fortemente presentes na sociedade. O agente causador da sífilis, por exemplo, foi descoberto há mais de 100 anos, disse. Para Temporão, falta de diálogo nas relações.

O ministro lembrou que algumas doenças sexulamente transmissíveis (DST), se contraídas durante a gestação, podem provocar a morte do bebê. Ele reconheceu que é preciso melhorar a oferta de testes para o diagnóstico de sífilis, por exemplo. Quando a pessoa procura, é importante que o atendimento seja de qualidade, afirmou.

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