Doenças do sistema respiratório aumentam 40% durante inverno

De acordo com a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), o índice de doenças que acometem o sistema respiratório aumenta em 40% no País durante o inverno. No contexto mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que essas infecções tripliquem nos períodos mais gelados.

Agência Estado |

Não é só o sistema respiratório que sofre nesta estação. Circulação, ossos e pele também ficam suscetíveis. E há quem seja alérgico ao próprio frio. Espirro, tosse, coriza, garganta inflamada e dores de cabeça. Essa é a definição de inverno para a comerciante Daniela Bruscalin, 26 anos. "Todo ano é a mesma coisa: assim que o frio chega eu fico doente. Tenho pelo menos dois resfriados nesta estação. A rinite também piora muito no período", diz ela. Para enfrentar o clima, carrega na bolsa um vidro de vitamina C e capricha nos antigripais.

Daniela entra na estatística dos doentes sazonais. Gripe, resfriado, rinite, sinusite, bronquite e asma são tão comuns nas épocas frias do ano que receberam o apelido de "doenças de inverno", termo considerado impreciso pelos médicos. "Não são doenças que ocorrem só no inverno. É preciso ter uma visão global da situação e não só culpar a natureza. Mais agressivo que o frio para as vias respiratórias é a poluição", afirma Paulo Olzon, chefe da disciplina clínica médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O especialista acredita que a intervenção humana na natureza tem mudado o curso de certas doenças. "É verdade que no inverno as pessoas permanecem mais em ambientes fechados, mas com o advento de transportes como o metrô, por exemplo, criamos um facilitador permanente de disseminação de doenças infecciosas", diz.

Olzon explica que o ar frio e seco estimula a concentração de poluentes. "O sistema respiratório tem um muco protetor que retém partículas de poeira e impurezas. Com o ar seco, esse muco se torna viscoso e funciona com dificuldade. Soma-se a isso a maior concentração de poluentes pela falta de chuva e teremos a agressão às vias respiratórias."

Para a psicóloga Silvia Galli Oliveira, 53 anos, a falta de umidade no frio traz desconforto dobrado. "Se esfria a rinite ataca, o nariz coça e fica irritado. É justamente no nariz que minha psoríase aparece com intensidade. Além disso, no inverno os banhos quentes ressecam mais a pele. A dica é ter sempre um vidro de hidratante na bolsa para controlar o desconforto", conta. Esse é um dos conselhos que ela oferece na AAPP (Associação de Apoio aos Portadores de Psoríase, fundada por ela.

A psoríase é uma doença dermatológica que pode provocar descamações, feridas e bolhas. Também entram no grupo das alterações de pele agravadas pelo frio a dermatite atópica e a caspa. "A queda da temperatura e a baixa umidade deixam a pele mais suscetível a inflamações", diz o médico Gilvan Alves, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Dados do Hospital das Clínicas apontam aumento de quase 40% na incidência de pacientes que procuram o médico no inverno com queixas de coceira, pele seca, descamação e feridas.

"Alérgicos ao Inverno"

As verdadeiras doenças de inverno, diretamente ligadas à baixa temperatura, são raras. Entre elas está a urticária ao frio, alergia que desencadeia vermelhidão e brotoejas em peles hipersensíveis a ambientes gelados. Outra, de natureza reumática, é a doença de Raynaud, que provoca contrição das pequenas artérias, sobretudo na mão, levando à diminuição da sensibilidade.

Na opinião de Olzon, a adaptação humana ao frio, em seus diferentes graus, é determinada pela genética. "O padrão genético dos povos nórdicos, por exemplo, suporta melhor o frio. Há outros fatores importantes, como o acúmulo de gordura corporal, que age como isolante térmico. O fundamental para todo humano é manter estável sua temperatura. Somos homeotérmicos, ou seja: faça frio ou calor devemos ter mecanismos para conservar a temperatura em torno dos 37ºC", conclui.
Precauções

Especialistas indicam algumas precauções que podem ser tomadas para evitar ou minimizar as doenças comuns no inverno. Lavar blusas de lã antes de usar e secar ao sol, trocar cobertores de pêlo por edredons e preferir cortinas sintéticas ou de material que possa ser limpo com pano úmido ajudam a evitar microorganismos responsáveis por reações alérgicas e respiratórias.

Também, quando possível, evitar locais fechados e conglomerados pode diminuir as chances de propagação de vírus. Manter os cômodos ventilados minimiza a proliferação de germes e usar purificadores de ar ou bacias com água nos dormitórios umedece o ar. Outra dica dos médicos é lavar as mãos sempre e beber bastante líquido.

Giuliana Reginatto

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