Doenças oxidativas abrem caminho para aterosclerose e envelhecimento

Alimentação e exercício físico ajudam a reduzir problemas

Agência Estado |

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Nas últimas duas décadas há uma publicação maciça e crescente de pesquisas envolvendo radicais livres e seu papel em várias doenças. Os radicais livres são moléculas ou átomos que tem a capacidade de se ligar a várias estruturas celulares, podendo provocar doenças.

Reagem com a membrana celular, com o DNA do núcleo, além de outras estruturas da célula, podendo abrir caminho para a instalação de câncer, aterosclerose, doenças reumatológicas, envelhecimento mais rápido, além de outras doenças, como as neurológicas, que até um passado recente eram tidas como degenerativas.

Os radicais livres podem ter origem a partir do oxigênio que respiramos, assim como os inalamos através da fumaça do cigarro e agentes poluentes. A alimentação pode ser também uma fonte importante dessas substâncias tóxicas, pela presença de agrotóxicos, pelo excesso de ferro, metais pesados. Situações tais como o estresse emocional e físico, infecções, depressão emocional, privação de sono, obesidade, podem desencadear uma maior atividade oxidativa no nosso organismo.

Os radicais livres, portanto, oxidam as diversas estruturas das células e assim podem provocar inflamação, que se sabe hoje, está no centro da maior parte dos processos de doença. Alguns exames laboratoriais podem identificar essa inflamação provocada por radicais livres. Vários são os paramentos que podem indicar essa oxidação: a proteína C, a ferritina, os metais pesados, a velocidade de hemossedimentação, a glicemia, a insulina, o colesterol e os triglicérides.

Desenvolvem-se, em laboratório, novos exames no sentido de se identificar com mais precisão esse processo oxidativo para poder agir preventivamente e curativamente nos processos de doença. A carga genética é também muito importante como determinante de doenças, assim como a oxidação e a inflamação. Muitas vezes formam-se ciclos viciosos difíceis de combater, pois a inflamação gera radicais livres, que geram inflamação e vice versa.

O que evitar

O primeiro passo é evitar processos de oxidação do nosso organismo e para isso contamos com algumas medidas simples, como evitar o cigarro, excesso de álcool, de hidratos de carbono simples (que são os refinados, como farinha branca e açúcar), tomar cuidado com a quantidade de carne vermelha que se ingere (por causa do excesso de ferro) e usar o peixe como fonte de proteínas, particularmente os mais gordurosos que contém ômega 3, que diminui a ação dos radicais livres e a inflamação.

Os hidratos de carbono que devem ser consumidos são os complexos que existem em várias sementes, frutas e vegetais, que têm sua absorção mais lenta. Vegetais devem ser consumidos em quantidade por ter várias substâncias antioxidantes (verduras, raízes, tubérculos, frutas). Outra regra simples é variar bastante o que se come, pois nosso organismo precisa ter muitas opções para absorver o que necessita. Azeite extra virgem (obtido por prensagem a frio de azeitonas) também é um importante alimento. Gorduras saturadas, como a da carne vermelha, das margarinas e manteiga devem ser consumidas em pequena quantidade.

A atividade física regular e moderada deve fazer parte da estratégia anti-inflamatória, pois aumenta a capacidade do organismo neutralizar radicais livres, e assim evitar doenças.

Todas essas medidas que apontamos como preventivas devem também fazer parte do tratamento de pessoas que já estejam doentes. Normalmente os alimentos são suficientes para fornecer matéria prima para que nosso corpo funcione de forma adequada, no combate à oxidação. No entanto, durante alguns processos de doença ou no idoso pode ser necessário suplementar sais minerais, vitaminas e antioxidantes por via oral ou endovenosa.

Por Paulo Olzon Monteiro da Silva - médico e Chefe da Disciplina de Clínica Médica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

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