Doença renal crônica já atinge 11% da população

Doença renal crônica já atinge 11% da população São Paulo, 01 (AE) - A doença renal crônica tem se alastrado em todo o mundo e já atinge 11% da população. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia, cerca de 90% das pessoas não sabem que têm o problema, já que não há sintomas aparentes nos primeiros estágios.

Agência Estado |

Isso leva, na maioria dos casos, ao diagnóstico tardio, quando há insuficiência renal avançada e já é necessário fazer diálise ou transplante, o que poderia ser evitado.

O grupo de risco engloba idosos, obesos, diabéticos, hipertensos ou pessoas com histórico familiar, que devem fazer, uma vez por ano, exames de urina 1 e de dosagem de creatinina no sangue. "Esses exames podem detectar alterações precocemente e o problema poderá ter cura", garante a nefrologista Altair Lima, presidente da Sociedade de Nefrologia do Estado de São Paulo. Somente no Estado, há mais de 12 milhões de pessoas com risco de desenvolver o problema, segundo dados de 2008.

A doença renal crônica tem cinco estágios. "Ela se instala quando há uma lesão renal por mais de três meses, com função renal normal, aumentada ou diminuída", explica Altair. No primeiro estágio, a função renal é normal. Com o passar do tempo, a função dos rins diminui e, quando isso ocorre, há a insuficiência renal. "O tratamento é indispensável para a sobrevida do doente", completa. Além de ser grave por si só, a doença é uma das principais causas de problemas cardiovasculares, como acidente vascular cerebral e morte súbita.

O nefrologista Hugo Abensur, do Hospital das Clínicas, afirma que há dois tipos de tratamento, que são adotados de acordo com a gravidade da doença. O primeiro é feito com remédios. No segundo, que engloba menos de 10% dos pacientes, é feita hemodiálise, em clínicas e hospitais; diálise peritoneal, em casa; ou transplante - há 30 mil pessoas na fila e, por ano, 3 mil são operadas.

No Brasil, atualmente, 95 mil pacientes renais crônicos dependem de diálise ou transplante para sobreviver. A estimativa é de que este numero dobre nos próximos dez anos. Do total dos que fazem diálise, 90% fazem a hemodiálise, durante quatro horas, três vezes por semana.

O restante, 10%, faz diálise peritoneal, número que chega a 86% no México. Apesar de oferecido pela rede pública de saúde, o método é menos conhecido pelos pacientes. São duas modalidades: a automatizada, feita com uma máquina durante o sono, e a manual, em que são feitas trocas três ou quatro vezes por dia. Abensur explica que é colocado um cateter na barriga do paciente, pelo qual é infundida a solução de diálise na área abdominal. As impurezas e a água do sangue são absorvidas e, depois, drenadas.

A dona de casa Mônica Aparecida Pacífico do Espírito Santo, 32 anos, é uma paciente que adotou a diálise peritoneal. Ela tem lúpus, doença que compromete a função dos rins, e descobriu que estava com problema renal há 12 anos. "Fiz um ano de hemodiálise, mas sofria muito. Mudei para a peritoneal, que faço enquanto durmo, com a máquina, e senti que ganhei qualidade de vida." Ela é casada e tem uma filha de 5 anos. "Tenho tempo para cuidar deles e da casa."

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