BRASÍLIA (Reuters) - A notícia divulgada neste sábado de que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, está se submetendo a um tratamento de quimioterapia surpreendeu aliados e líderes da oposição, e gera incertezas sobre o cenário político da eleição presidencial de 2010. Em uma entrevista coletiva no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, Dilma revelou que foi diagnosticada com um linfoma e um tumor num gânglio linfático foi retirado. A ministra, escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a corrida presidencial pelo PT, assegurou que seguirá trabalhando normalmente.

Ainda digerindo a notícia, oposição e governo seguem com o cenário que até agora parecia o mais provável.

"Trabalhamos com a hipótese de disputar a eleição com ela. Reconhecemos que é uma candidata dura, mas uma pessoa íntegra, que nós respeitamos", disse à Reuters o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

"A ministra é uma pessoa que nós consideramos, respeitamos e temos a convicção de que ela estará restabelecida brevemente dessa doença transitória", acrescentou Guerra. "A política vai continuar no seu curso, e a saúde dela logo estará recuperada."

Em Nova York, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse não acreditar que a doença prejudicará a possível candidatura de Dilma ao Planalto.

"Tenho certeza de que não vai afetar a vida política dela, a ação do governo, que é intensa", destacou o ministro a jornalistas.

"Vai continuar tocando a vida com mais esse probleminha que ela vai ter que resolver", acrescentou.

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), foi mais enfático: "Continuamos contanto com ela".

Defensor da candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) a presidente como forma de enfraquecer a oposição no primeiro turno das eleições de 2010, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), vice-líder do governo na Câmara, disse acreditar que o cenário continua o mesmo.

"Não há conjuntura nova. O fato da doença de Dilma não impõe uma conjuntura nova", alegou.

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), tem a mesma percepção: "Eu vi (na televisão) ela dizendo que prosseguia a vida normal dela. A vida normal dela mantém ela candidata."

(Reportagem de Fernando Exman, em Brasília, Walter Brandimarte, em Nova York, e Carmen Munari, em São Paulo; Edição de Alexandre Caverni)

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