Documento militar dos EUA revela intenções militares na América do Sul

Um documento oficial da Força Aérea dos Estados Unidos causou espanto na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira. Descoberto pelo deputado José Genoino, o texto teve uma tramitação comum nos órgãos democráticos americanos: foi enviado ao Congresso Nacional dos EUA como defesa da liberação do orçamento para construção e manutenção de sete bases militares norte-americanas na Colômbia.

Matheus Leitão, iG Brasília |


O problema é que o documento, de acordo com parlamentares brasileiros, extrapola o nível de atuação política normal de um país em uma região. Nele, a construção das bases na America do Sul é justificada como "uma oportunidade única para uma gama completa do operações numa sub-região crítica de nosso hemisfério, onde a segurança e a estabilidade estão permanentemente ameaçadas pelo narcotráfico patrocinado por insurgências terroristas, governos anti-Estados Unidos, pobreza endêmica e desastres naturais recorrentes".

Em parágrafo mais adiante, o texto se refere novamente à região inteira nas ações militares: relacionamento de forte esquema de segurança também oferece oportunidade para conduzir operações de amplo espectro sobre a America do Sul para incluir a capacidade de mitigar as operações contra o narcotráfico, afirma o texto.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), grupo terrorista com estreitas ligações com o narcotráfico, controlam uma parte do território e mantém uma guerra com o governo da Colômbia por 40 anos. O governo colombiano acusa o governo de Hugo Chávez de ter uma relação de ajuda ao grupo terrorista. O Plano Colômbia, que regula a cooperação militar entre Estados Unidos e Colômbia, é teoricamente apenas para enfrentar o tráfico de drogas.

Recentemente, uma crise se instalou entre os países da região e a Colômbia, após a informação de que os Estados Unidos iriam instalar as sete bases militares na Colômbia. A parte do texto que pode provocar maior reação política é que se refere a operações em toda a America do Sul. O presidente colombiano Álvaro Uribe esteve no Brasil para explicar ao presidente Lula que as bases americanos serviriam apenas para proteção colombiana na luta contra o narcotráfico.

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