Londres, 14 mar (EFE).- Um documento medieval descoberto pelo professor Julian Luxford, da Universidade de Saint Andrews, na Escócia, refuta a lenda de um Robin Hood que seria benfeitor por roubar somente dos ricos.

Luxford encontrou uma inscrição em latim de um manuscrito de meados do século XV, propriedade da Universidade de Eton, afirmando que ele e seu bando eram ladrões comuns, conhecidos em numerosos pontos da Inglaterra por suas atividades criminosas.

A inscrição tem 24 palavras e diz assim: "em torno deste tempo, de acordo com a opinião popular, um certo bandido chamado Robin Hood e seus cúmplices infestaram Sherwood e outras regiões da Inglaterra cumpridoras da lei com contínuos roubos".

Luxford, que publicará seu estudo no próximo número do "Journal of Medieval History", antecipou à "BBC" que este é um indício de que "Robin Hood e seus alegres companheiros na verdade talvez não fossem queridos por 'fazer o bem'".

"Esta nova descoberta contém uma avaliação negativa do bandido até agora não conhecida", explica este especialista no estudo de manuscritos medievais.

Luxford assinala que a descoberta também é importante para situar cronologicamente Robin Hood, uma figura que fez parte do folclore inglês há séculos e superou as fronteiras da Inglaterra para se transformar em ícone mundial.

Segundo o pesquisador, "o manuscrito situa Robin Hood no reinado de Eduardo I, derrubando, portanto, a crença de que sua lenda teria raízes no século XIII".

Sobre a menção a Sherwood, o especialista considera que "até agora, pouca coisa aponta que houve uma conexão entre Robin e a floresta de Nottinghamshire (região do centro da Inglaterra) com a qual ele foi relacionado tão estritamente". EFE fpb/jp

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