Ao contrário do que afirmou o ministro da Justiça, Tarso Genro, quando questionado pela presidência da Câmara sobre a ação de agentes federais dentro da Casa, a Polícia Federal mira objetivamente o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP). Em documento oficial enviado à Justiça Federal no dia 26 de março, a PF registrou que suspeita da ação do parlamentar em desvios de recursos públicos a partir de financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Por meio do ofício número 5073, de 15 páginas, a PF denuncia "vazamento de informações" e pede a decretação da prisão temporária da organização que teria infiltrado agentes em repartições públicas para fraudar o BNDES.

No parágrafo quinto da página 4, a PF relacionou os alvos da investigação, então secreta, e associou Paulinho ao grupo: "Quanto ao modus operandi, apurou-se que parte do valor liberado pelo banco, de 2% a 4% do total do financiamento, é desviada e repartida entre Manuel, Mantovani, Jamil, Boris, João Pedro, Ricardo Tosto, e outros dois não identificados, possivelmente as pessoas de José Gaspar, sem mais dados qualificativos, e o deputado federal Paulo Pereira da Silva." (Em outro documento, juntado aos autos, a PF identifica José Gaspar Ferraz de Campos, vice-presidente estadual do PDT, como suposto beneficiário da partilha.)

No capítulo que intitulou "desvio de verbas públicas", a PF cita Paulinho e descreve dados relativos a financiamentos concedidos às Lojas Marisa, um no valor de R$ 220 milhões e outro de R$ 184 milhões , e à Prefeitura de Praia Grande (SP), de R$ 124 milhões. No texto encaminhado à 8ª Vara Criminal Federal, há 35 dias, a PF amplia o leque de suspeitos com cadeira no Congresso. "É possível que haja outros desvios, além dos supostos 2% a 4%, envolvendo deputados federais e prefeitos." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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