Dobra população que vive em áreas de risco para dengue, diz ministério

O número de cidades em situação de alerta ou de risco para dengue aumentou no País. Levantamento do Ministério da Saúde divulgado ontem pelo ministro José Gomes Temporão mostra que dez cidades apresentaram índice de infestação do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti , superior a 4% - o que indica risco de epidemia - o dobro do que havia sido registrado em 2008.

Agência Estado |

Dois deles estão em São Paulo: Barretos e Presidente Prudente. O estudo mostrou ainda haver 102 cidades em situação de alerta, ante 71 registradas no ano passado. Em compensação, o número de municípios com índices satisfatórios caiu de 83 para 42.

Apesar dos indicadores, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que ainda há como se evitar uma epidemia da doença no próximo verão. "Para isso, é preciso que todos estejam evolvidos. Gestores e população", observou. Questionado sobre o aumento do número de criadouros registrado este ano, o ministro Temporão evitou responsabilizar diretamente gestores por eventuais falhas nas atividades de prevenção - ele preferiu dizer que o problema é reflexo da conjugação de uma série de fatores.

Além de Presidente Prudente e Barretos, estão em situação de risco as cidades mineiras de Governador Valadares e Ipatinga; Camaçari, Ilhéus e Itabuna, na Bahia; e Mossoró (RN). Na Região Norte, Palmas (TO) apresentou indicadores com risco de surto e, no Centro-Oeste, a cidade de Cárceres (MT).

O levantamento divulgado ontem foi realizado em 163 cidades. Dessas, 157 enviaram informações. Batizado de Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti , o sistema passou a ser usado no País em 2004. O método permite identificar números de criadouros do mosquito nas cidades e, com isso, avaliar onde há maior risco da doença.

Total de casos

Já o número de casos de dengue caiu 46,3% no Brasil nas 30 primeiras semanas de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o balanço parcial do ministério. Foram 758.051 em 2008 e, neste ano, o total chegou a 406.883. De acordo com o levantamento, a redução foi observada em 20 Estados e no Distrito Federal. O Rio de Janeiro registrou a maior queda (95,9%), seguido do Rio Grande do Norte (93,0%) e de Sergipe (90,4%). Porém, Acre, Amapá, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso apresentaram elevação no número de casos.

O total de ocorrências graves de dengue caiu 79,2% - passou de 20.579 nas 30 primeiras semanas de 2008 para 4.281 no mesmo período deste ano. Esses casos correspondem à soma dos registros de Dengue com Complicações (DCC) e Febre Hemorrágica de Dengue (FHD).

Separando essas duas formas graves da doença, os casos de DCC tiveram redução de 83,6%, de 16.911 em 2008 para 2.767 em 2009. São pessoas que tiveram complicações decorrentes da doença, mas não chegaram a ter um quadro classificado como dengue hemorrágica. No caso da FHD, a queda foi de 58,7%: 3.668 casos em 2008, contra 1.514 este ano.

O balanço parcial também revela uma redução de 63,2% nas mortes em decorrência da enfermidade. De acordo com dados enviados até 1º de agosto, houve 166 óbitos neste ano, sendo 103 por FHD e 63 por DCC. No mesmo período do ano passado, foram registradas 451 mortes (213 por FHD e 238 por DCC).

Ligia Formenti e Solange Spigliatti

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