DNA encerra polêmica sobre guerrilheiro do Araguaia

Identificado extraoficialmente em 2004, o corpo do guerrilheiro cearense Bergson Gurjão Farias, do PC do B, morto por tropas do Exército na guerrilha do Araguaia em maio de 1972, poderá enfim ser sepultado pelos familiares. Em meio à briga política com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que faz uma expedição em busca de ossadas, o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, aceitou ontem argumentos da pesquisadora Myrian Luiz Alves e anunciou a identificação do guerrilheiro por um laboratório de São Paulo, feita com base na análise mitocondrial.

Agência Estado |

A família de Bergson foi notificada ontem mesmo em Fortaleza para providenciar os funerais.

“É o dia mais importante da minha vida de pesquisadora, foram sete anos de trabalho e dedicação”, disse Myrian ao Estado , chorando, ao saber do anúncio. Ela, ligada ao PT, travou uma guerra contra setores do governo que não aceitavam seus argumentos de que o corpo era de Bergson. A versão dela, aceita agora por causa da disputa política, foi classificada de “surrealista” em 2007 por Paulo Vannuchi.

Em três expedições desde a década de 90, o governo federal recolheu 12 ossadas de supostos guerrilheiros que foram colocadas sob a guarda do Ministério da Justiça. Mas a identificação se arrasta até hoje por causa de atropelos burocráticos. Apenas duas foram identificadas. A primeira foi a da guerrilheira mineira Maria Lúcia Petit.

O ministro informou que a mesma tecnologia usada para identificar Bergson será empregada nas demais dez ossadas. Ele fez um apelo para que militares que participaram da repressão se inspirem no major Sebastião Curió e tragam informações para localizar outras ossadas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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