Belén Palanco Cartagena (Múrcia), 12 jul (EFE).- O cantor Djavan disse em entrevista à Agência Efe que a salvação da alma está no trabalho e ressaltou que ele começou a trabalhar com apenas 6 anos de idade, estudando música.

O artista, que chegou à Cartagena (Espanha) para participar do Festival Mar de Músicas, lembrou que já esteve na região há "10 anos".

Foi a música que trouxe o sucesso para Djavan - ele conta com 18 álbuns e 30 anos de carreira -, mas sua curiosidade se estende desde "a dança" até "as artes plásticas - principalmente, a pintura - e a botânica".

A arquitetura é outra paixão. Segundo o cantor, ele também se sentiria realizado a nível pessoal se fosse arquiteto, pois desenha coisas que quer construir.

O estilo de suas construções é, assim como em sua música, "uma mistura", acabando com o "risco" de suas construções ficarem sem personalidade", ou seja, sem um estilo definido.

Trabalhador nato, sua filosofia é o trabalho e o estudo. Por isso, ele afirma ter pesquisado e lido muito para "tentar seguir com precisão a proporção, as cores, as medidas e os materiais" das construções que ele projeta em nível "amador".

Perante o interesse por conhecer estes projetos, o criador da canção "Flor de Lis" (1976) assinalou que os desenha por "prazer" e que não quer mostrá-los em público porque pertencem a sua vida privada.

Djavan nasceu em Maceió e se mudou para o Rio de Janeiro em 1973 para tentar a sorte. Ela lhe sorriu com seu primeiro disco "Djavan" (1976), do qual ainda interpreta algumas canções que se transformaram em bandeira de seu estilo eclético e pessoal, que foi batizado por Caetano Veloso como o "djavanear".

E esta fusão de ritmos é a chave na vida e obra deste compositor que há alguns anos se transformou em produtor de seu selo, Luanda Records, o qual iniciou para "poder administrar sua carreira de forma pessoal", disse.

Este "grande desafio", segundo o cantor que conquistou o Grammy Latino de 2000 por melhor canção em português para "Acelerou", o "estimula, já que em uma carreira de 30 anos é preciso gerar desafios".

Quando fala de seus gostos, cita compositores clássicos como Chopin, Beethoven, Claude Debussy e Mozart, passando pelo artista brasileiro contemporâneo Luiz Gonzaga até chegar a uma de suas vozes favoritas do jazz, Chet Baker.

O cantor já está "imaginando" seu próximo álbum, cuja fonte de inspiração se acha "no cotidiano, nas pessoas, nas viagens...", para este artista que cria quando sente "a necessidade" de fazer uma nova canção.

Por último, Djavan aconselhou aos jovens cantores que "estudem", apesar de acreditar que é preciso "ter vocação", já que sem ela, não se consegue, segundo ele, "o suficiente prazer" no que se realiza e, além disso, é preciso "talento" e, sobretudo, "trabalho, muito trabalho". EFE bp/ab/plc

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