Leonardo da Vinci conseguiu criar o famoso efeito de véu vaporoso que tanto fascina os admiradores de Mona Lisa, o esfumato, graças à superposição de camadas de pintura, constatou uma análise científica publicada nesta terça-feira pela revista Applied Optics.

A parte superficial é uma sobreposição de camadas de "terra de sombra", um ocre que contém um pouco de manganês, que dá esse toque de véu, disse à AFP a autora do estudo, Mady Elias, pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS).

Na época, essa técnica era conhecida apenas pelos primitivos flamengos, como Van Eyck e Van der Weyden.

A segunda camada é "uma mistura de 1% de vermelhão e 99% de branco chumbo, técnica utilizada por todos os italianos da época", acrescentou Elias, destacando que se trata "da única demonstração científica de sua composição".

Os componentes dessas camadas foram identificados sem tocar na obra, graças a uma câmera multiespectral que permite medir 100 milhões de espectros luminosos em outros tantos pontos do quadro. Essa câmera foi desenvolvida pela empresa Lumière Technology, com sede em Paris.

"A luz projeta um raio sobre o quadro", que permite medir os espectros dos componentes da camada pictórica, uma medida ao mesmo tempo óptica (240 milhões de pixels), física e química, disse o presidente da empresa, Jean Penicaut.

"Não coletamos nenhuma amostra" para analisar a composição da obra, disse Elias. Segundo ela, "é a primeira vez que se aplica na arte (...) um balanço de fluxos luminosos na matéria", técnica usada, até agora, na meteorologia e na oceanografia.

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