Dívida pública federal cambial ameaça estourar meta

BRASÍLIA (Reuters) - A valorização do dólar provocou um aumento de 12,2 bilhões de reais na dívida pública federal brasileira em novembro e ameaça o cumprimento de uma das metas da programação de endividamento do Tesouro Nacional para o ano. No mês passado, a dívida pública federal --interna e externa-- aumentou no total 2,16 por cento, ou 29 bilhões de reais, na comparação com o mês anterior, e totalizou 1,374 trilhão de reais.

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Além do efeito do dólar, que impacta principalmente as obrigações externas do país, contribuiu para o aumento da dívida uma emissão líquida de 4,4 bilhões de reais em títulos no mercado doméstico, além da incidência de juros.

A parcela da dívida total atrelada ao câmbio fechou novembro em 9,7 por cento do total, contra 9 por cento em outubro e frente a uma meta de 7 a 9 por cento estabelecida pelo Tesouro para 2008 no final de agosto.

O coordenador-geral da Dívida Pública, Guilherme Pedras, afirmou que ainda não é possível prever em que patamar essa parcela da dívida deverá fechar o ano, pois sua correção dependerá do valor do dólar no final de dezembro.

"O aumento é um efeito da desvalorização do real frente ao dólar e o resultado de dezembro dependerá em grande medida do valor da Ptax (taxa média do dólar)", disse Pedras a jornalistas.

Em novembro, o dólar acumulou alta de 7,41 por cento frente ao real.

DÍVIDA INTERNA

Considerando apenas a dívida mobiliária federal interna, o crescimento do endividamento foi de 1,48 por cento em novembro, para 1,244 trilhão de reais.

No mês, houve uma emissão líquida de 4,4 bilhões de reais e a apropriação de juros somou 13,7 bilhões de reais.

"Novembro apresentou condições melhores de gestão da dívida do que outubro", disse Pedras. "Mas continua um grau significativo de incerteza no mercado internacional."

A participação da dívida cambial sobre a dívida interna total, incluindo os contratos de swap, aumentou para 3,17 por cento, frente a 1,32 por cento em outubro.

A parcela dos títulos prefixados --considerados melhores para o gerenciamento da dívida-- aumentou para 31,61 por cento em novembro ante 31,50 por cento em outubro.

Os papéis atrelados à Selic caíram para 34,55 por cento contra 35,93 por cento em outubro, incluindo os contratos de swap. No mesmo período, a participação dos títulos corrigidos por índices de preços passou de 29,75 por cento para 29,15 por cento.

(Reportagem de Isabel Versiani; Edição de Alexandre Caverni)

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