O presidente Luiz Inácio Lula da Silva previu nesta sexta que a pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, terá dificuldade de fazer campanha na Bahia devido às divergências entre o governador Jaques Wagner (PT) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), aliados que disputarão o governo do Estado. Eu sei que essas divergências vão me causar problemas, mas a política tem dessas coisas, tem imprevistos. Vai ser difícil, afirmou.

"Mas muito mais dificuldade vai ter a minha candidata, que vai estar nos palanques", completou o presidente.

As declarações foram dadas em entrevista às emissoras de rádio Santa Cruz, de Ilhéus, e Difusora de Itabuna. Ele ainda foi questionado sobre a aliança que o PT está costurando com o tradicional adversário no Estado, o ex-governador e atual senador Cesar Borges, hoje no PR, que foi aliado do senador Antonio Carlos Magalhães, do antigo PFL (hoje DEM).

"A política é interessante porque não existe nada que você considere impossível. Algum dia alguém iria imaginar que o PT fizesse aliança com o PP?", disse o presidente, referindo-se ao partido do deputado federal e ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf.

CPMF e imprensa

Lula voltou a reclamar do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que foi derrubada no Congresso Nacional. Ele disse que a falta dos recursos do chamado "imposto do cheque" tem impedido investimentos na Saúde. "Eu sei que a tentativa deles (oposição) não era prejudicar o pobre; era para me prejudicar. Tiraram a CPMF por birra, quase por vingança."

A CPMF era um tributo de 0,38% sobre qualquer movimentação financeira. A maior parte dos recursos eram destinados para cobrir os gastos com a Saúde. A renovação da contribuição foi derrubada pelo Congresso em 2007, sob o argumento de que ela tinha uma origem provisória e que a carga tributária havia se elevado em excesso no governo Lula. Mesmo sem o tributo, não houve, nos meses seguintes, queda na arrecadação do governo federal.

O presidente encerrou a entrevista dizendo que preferia falar com profissionais do rádio do que com profissionais de jornais e TV. Segundo ele, o rádio tem uma comunicação direta. "Nas entrevistas para os jornais, a gente fala, fala, fala e depois não sai aquilo que a gente falou. Na TV eles também não colocam tudo. Eu gosto de falar mais no rádio", afirmou.

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