Diante das evidências do aumento de consumo de crack no Brasil, o Ministério da Saúde lançou hoje uma campanha de prevenção ao consumo. O acesso a essa droga vem se ampliando.

Um problema grave, sobretudo pelos efeitos devastadores provocados", avaliou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. O Disque-Saúde passa a ter, a partir de hoje, um canal específico com informações sobre tratamento contra o crack. O número é 0800-61-1997.

Estima-se que 0,1% da população brasileira use a substância, derivada do refino de cocaína e a mais viciante entre todas as drogas ilícitas. Com o slogan "Nunca experimente o crack, ele causa dependência e mata", a campanha deverá ser veiculada até dia 31 de janeiro, em rádios, TVs, internet, cinemas, jornais e revistas.

O lançamento da campanha, pouco antes do período de festas e das férias escolares, foi proposital. A ideia, afirmou o ministro, é tentar mostrar, principalmente aos jovens, os riscos da droga. "Os jovens são mais propícios à experimentação. Mas queremos mostrar que algo que possa parecer sedutor no início transforma-se num pesadelo."

Histórico

A droga surgiu nos Estados Unidos na década de 1980. O primeiro relato de uso no Brasil data de 1989. Desde então, o consumo da substância está crescendo, principalmente nos últimos cinco anos. Um dos motivos é que o território brasileiro serve de rota para o tráfico internacional.

"A droga é barata; por isso, atinge principalmente os jovens das camadas mais baixas, mas qualquer jovem é considerado um usuário em potencial", disse José Luiz Telles, diretor do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas (Dapes) do Ministério da Saúde.

Quando os efeitos da droga diminuem no organismo, a pessoa tem sintomas de depressão e a sensação de perseguição. Outros sintomas comuns são desnutrição, rachadura nos lábios, sangramento na gengiva e corrosão dos dentes; tosse, lesões respiratórias e maior risco para contrair o vírus HIV e hepatites.

Segundo a assessoria do Ministério da Saúde, a pasta lançou, em novembro, um pacote de medidas com investimento de R$ 215 milhões para ampliar a assistência a usuários de álcool e drogas e pacientes com transtornos mentais. De acordo com dados do governo, a medida habilitou 73 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), criou incentivo financeiro para internações curtas (até 20 dias) de pacientes em crise e aumentou em até 31,85% o valor das diárias pagas por paciente internado em hospitais psiquiátricos gerais.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.