Disputa por liderança pode rachar tucanos na Câmara

A disputa pela liderança da bancada do PSDB na Câmara dos Deputados está dividindo os parlamentares e pode rachar a legenda num momento estratégico que antecede a escolha do candidato que irá disputar as eleições presidenciais de 2010. Menos de dez dias depois de o governador José Serra (PSDB) ter acertado as arestas da legenda em São Paulo, com a escolha de Geraldo Alckmin (PSDB) para compor seu secretariado, os 57 deputados federais da sigla iniciam um novo embate, desta vez em Brasília.

Agência Estado |

A briga se dá em torno da tentativa de mudança no estatuto interno para permitir a reeleição do atual líder, José Aníbal (SP), expediente vetado pelas atuais regras.

Os aliados de Aníbal informam ter as assinaturas necessárias para mudar o estatuto e manter o líder no cargo na eleição prevista para quarta-feira. Já os opositores, que representam cerca de 40% da bancada - dentre eles os que pleiteiam essa liderança, como os deputados Paulo Renato (SP), Emanuel Fernandes (SP), Gustavo Fruet (PR) e Zenaldo Coutinho (PA) -, alegam que não vão aceitar nenhuma mudança no estatuto e, se Aníbal for reconduzido, a bancada vai rachar.

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), recebeu hoje uma comissão de deputados tucanos descontentes com a tentativa de mudança no estatuto - a maioria ligada ao governador Serra. Ao saber da disputa interna na bancada, pediu que os próprios deputados buscassem consenso. "Há 20 anos não temos uma briga desse nível, resultado de um comportamento não democrático dos que querem mudar o estatuto no tapetão. Se eles (grupo pró-Aníbal) vencerem, o racha vai se instalar na bancada, um racha desnecessário", afirma um dos parlamentares, que defende a manutenção das atuais regras.

O vice-líder tucano na Câmara, Duarte Nogueira (SP), membro do grupo pró-Aníbal, classificou os colegas descontentes como "uma meia dúzia que está tentando ganhar alguma coisa no grito". Segundo Nogueira, isso não vai acontecer: "Ninguém vai ganhar nada no grito na bancada e, sim, dentro do consenso e da maioria."

Reunião

Nogueira minimizou ainda a ida dos tucanos descontentes ao presidente da legenda, Sérgio Guerra, e disse ter ouvido dele que a proposta da mudança no estatuto partidário para a manutenção de Aníbal deve ser ratificada com votos internos suficientes para a aprovação. "O presidente Sérgio Guerra me disse pessoalmente que defende o entendimento e que seja manifestada a vontade da maioria. Prevalecerá assim a maioria", emendou.

Para tentar abafar a crise, a bancada, ou parte dela, irá se reunir hoje à noite na casa do deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), em Brasília. "Já existem assinaturas para alterar o estatuto e a ideia é fazer dentro de um consenso, sem o enfrentamento acirrado", explicou Nogueira, que confirmou o convite aos 57 parlamentares tucanos. "Todos foram convidados", frisou.

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