Uma disputa interna na corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), o maior grupo interno do PT, pode fazer com que o 4º Congresso Nacional do partido termine sem que a executiva nacional seja nomeada.

A definição está prevista para sábado, mas até o início da noite de quinta-feira não havia acordo quanto à secretaria de Comunicação, considerada estratégica em um ano eleitoral.

O presidente eleito do partido, José Eduardo Dutra, queria anunciar ainda nesta quinta-feira à noite os nomes da Executiva. Seria uma demonstração de unidade da legenda às vésperas da eleição, mas a falta de acordo entre as correntes inviabilizou o anúncio.

A direção do CNB havia prometido o cargo à corrente Novos Rumos, ligada à ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, que indicou o nome do líder do PT na Assembleia Legislativa paulista, Ruy Falcão.

No entanto, nas últimas semanas integrantes da CNB começaram a cobiçar o cargo, desencadeando uma disputa fraticida que pode desmoronar toda a arquitetura de divisão interna de poder.

Além de Falcão, pelo menos outros três nomes disputam a secretaria: os deputados André Vargas (PR) e José Guimarães (CE) e João Motta, dirigente do PT gaúcho apoiado pelo atual secretário de Finanças, Paulo Ferreira, que vai deixar a executiva. Todos são da CNB.

Nesta quinta-feira a CNB sugeriu ao Novos Rumos que Falção fique com a primeira vice-presidência do partido. "De jeito nenhum. Queremos a secretaria de Comunicação conforme o CNB prometeu antes do PED (Processo de Eleição Direta)", rechaçou o vereador João Antonio, presidente do diretório municipal de São Paulo, que integra o Novos Rumos.

Segundo fontes petistas, a disputa na maior corrente já ameaça se disseminar por outras tendências do partido. "Quando o CNB não se entende os outros começam a bater no peito e dizer: eu também quero", disse um alto dirigente do partido.

A secretaria-geral, segundo cargo mais importante da hierarquia petista, que tinha como nome certo o do deputado José Eduardo Cardozo, da Mensagem ao Partido, também entrou na mira da CNB.

Uma reunião entre CNB e Novos Rumos estava prevista para começar no início da noite de quinta-feira, sem horário para acabar.

De acordo com dirigentes do partido, a nomeação da executiva, órgão responsável pela administração do partido, pode ser adiada para março.

O objetivo é não manchar o congresso, montado para ser o palco da aclamação de Dilma Rousseff como candidata do partido à Presidência.

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