Dislexia pode levar às drogas, diz presidente de associação

Burro, lerdo, preguiçoso, incompetente. Os adjetivos nada elogiosos que costumam acompanhar a vida escolar de um disléxico adoecem a auto-estima.

Agência Estado |

Segundo afirma Rosemari Mello, presidente da Associação Brasileira de Dislexia, além do distúrbio provocar a evasão escolar, a dislexia pode levar à depressão e até ao caminho das drogas. Pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 5% e 17% da população mundial é disléxica.

A maior procura por diagnósticos ocorre entre crianças de 5 a 16 anos. Definida como um distúrbio de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, a dislexia tem alta incidência nas salas de aula. A síndrome não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição socioeconômica ou baixa inteligência. É uma condição hereditária de caráter genético, que apresenta ainda alterações no padrão neurológico.

"O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar, com psicólogos, pedagogos e fonoaudiólogos", explica Rosemari. Os sinais mais evidentes do problema são a dificuldade na leitura e escrita na alfabetização. "Isso tem graus, mas é comum a pecha de preguiçoso, de vagabundo. Imagina como fica a cabeça da criança em uma turma em que todos estão lendo e escrevendo e ela não? E só preguiça? O alvo mais prejudicado é a auto-estima e é o que provoca a evasão escolar, leva ao caminho das drogas, da marginalidade ou à depressão", analisa.

"Há pesquisas na Inglaterra segundo as quais 50% dos encarcerados são disléxicos. Se for feito um levamento semelhante no Brasil, provavelmente dará um número grande", acredita Rosemari, que se descobriu disléxica aos 37 anos, ao levar o filho à ABD para tratamento. "Até aquele momento, eu nunca tinha lido um livro inteiro e já havia descartado completamente a idéia de fazer faculdade." A trajetória de Rosemari, que fez supletivo, prestou vestibular e está no quarto ano de Psicologia, mostra que a dislexia exige treinamento. "É uma questão de adaptação, é preciso ensinar uma forma diferente de aprender."

Deborah Bresser

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG