Disfunção erétil pode indicar problemas cardiovasculares, diz estudo

Problemas na ereção podem indicar que a saúde cardiovascular inspira cuidados. O coração e a genitália enfrentam os mesmos inimigos - hipertensão, diabete, colesterol elevado, angina e tabagismo.

Agência Estado |

Essa conexão de risco entre a parte erógena do homem e o todo corporal traduz um novo modo de perceber sua sexualidade: menos restrita ao pênis e mais ligada às condições gerais de saúde, como demonstram estudos apresentados no 24º Congresso Europeu de Urologia (EAU), realizado este mês em Estocolmo (Suécia)

A vida sexual masculina, percebida para além dos limites do pênis, ultrapassa também os contornos do próprio homem para chegar ao mundo feminino. É o que comprova a pesquisa inédita sobre a duração da ereção em homens com disfunção erétil (DE) apresentada no EAU pelo médico Matt Rosenberg, diretor do Centro de Saúde de Michigan. (EUA). Batizado de Endurance e baseado nos efeitos de um medicamento contra DE comercializado no País, o estudo ressalta a postura solidária do homem na cama - menos machista, não menos masculino.

Mais do que garantir a própria satisfação sexual, os machos modernos estão preocupados com o prazer da mulher: 93% deles, segundo a pesquisa, acreditam que a duração da ereção também é importante para a parceira, que necessita de um tempo até duas vezes maior para atingir o orgasmo. "Parece senso comum a necessidade de várias horas para a satisfação sexual, mas um recente estudo com terapeutas sexuais no Canadá revelou que a ereção é satisfatória para os casais quando dura de 7 a 13 minutos", diz Rosenberg. Entre homens com DE, porém, a ereção pode durar segundos.

Participaram do Endurance 201 homens com DE, avaliados por quatro semanas. Eles foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um recebeu o medicamento; outro foi tratado com placebo. Todos apresentavam alguma patologia associada à DE - sendo 32% hipertensos, 7% diabéticos e 24% com quadro de dislipidemia (alta taxa de lipídeos, sobretudo colesterol). O tempo médio de ereção entre os voluntários que tomaram placebo foi de 5,45 minutos, ao passo que entre os tratados com remédio a duração ficou em 12,81. "Usuários de placebo não chegaram ao mínimo da faixa normal, estimada em sete minutos", relata o médico. "A duração da ereção é um parâmetro inovador para a vida sexual para os casais, trazendo benefícios emocionais para o paciente de DE."

Casal

Especialista em urologia e disfunção sexual pela Universidade de Boston e mestre em Urologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Eduardo Bertero também acompanhou a discussão na Suécia. Questionado sobre os resultados do Endurance , argumenta que o tempo de duração da ereção como medida de sucesso do ato sexual funciona como elo emocional para o casal. "Na medida em que o homem consegue permanecer mais tempo na parceira, aumentando o tempo do intercurso sexual, há ganho de intimidade e afetividade", diz. "Dar ao homem com DE esse padrão satisfatório é importante porque muitos têm uma visão fantasiosa do assunto."

Giuliana Reginatto

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