BRASÍLIA - A discussão sobre a criação de um sistema de cotas para que parlamentares possam contratar parentes nos gabinetes começa a ganhar força no Congresso. O tema, que começou como uma piada a partir da decisão do Supremo, que proibiu o nepotismo nos três poderes, passou a ter defensores, como o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), que conta com três parentes contratados. Para ele, um sistema de cotas evitaria abusos e poderia criar critérios técnicos para a prática do nepotismo. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/08/21/para_stf_contratar_primo_nao_e_nepotismo_1588326.html target=_blankPara STF, contratar primos não é nepotismo

"Eu defendo sim [a cota]", disse. "[Mas] É importante ter uma qualificação. Não posso pegar um motorista e colocar no cargo de um assessor mais alto", completou. 

Questionado sobre o emprego que deu para três de seus parentes, Mozarildo comentou que no momento das contratações não existia nenhuma proibição, mas que vai demitir os funcionários. 

"Agora eu não discuto, vou demitir. Sempre disse assim: enquanto não houver norma proibindo, sigo os critérios da lógica. Poderia até ter outros [parentes nomeados] porque não havia nada dizendo que não podia", disse. 

Em relação às cotas, o senador destacou que o sistema pode ser usada para coibir eventuais abusos e resolver o impasse gerado pela súmula, que autorizou o nepotismo para cargos políticos, como o de secretários de Estado e ministros, mas não para funcionários dos gabinetes parlamentares. 

"Será que não é cargo político meu assessor de marketing? Ter um assessor de imprensa é um cargo político ou cargo profissional?", questionou. 

Cotas e demissões

O vice-líder do DEM no Senado, Heráclito Fortes (PI), confirmou, na quarta-feira, ter ouvido comentários sobre a construção de uma alternativa para o nepotismo no Congresso, um dos temas foi justamente o do sistema de cotas. 

Entre as demissões que vão ocorrer deve constar a do sobrinho do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que conta com o parente no gabinete de apoio da presidência e já explicitou sua posição. "Vou demitir".  

Quem também se manifestou foi o primeiro-secretário do Senado, Efraim Morais (DEM-PB). Ele destacou que tão logo a súmula seja publicada pelo Supremo vai demitir seis sobrinhos que contam com cargos em João Pessoa (PB) e Brasília. O mesmo vai fazer o deputado Pompeo de Matos (PDT-RS), que contratou um sobrinho. 

Por fim, o senador senador Adelmir Santana (DEM-DF), que nomeou sua filha para um dos cargos de seus confiança, lamentou a decisão do Supremo e também aguarda a publicação da súmula para tomar algum tipo de ação.

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