Diretor-geral do Senado vai investigar novos atos secretos

A Mesa Diretora do Senado determinou nesta quinta-feira a investigação dos novos 468 atos secretos descobertos em uma investigação feita por técnicos da Casa. Outros 500 atos já estão sob a investigação das secretarias Geral e de Recursos Humanos.

Camila Campanerut, repórter em Brasília |

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  • Agência Brasil
    Haroldo Tajra

    Haroldo Tajra, responsável pela investigação

    A decisão foi tomada em reunião nesta manhã. A comissão diretora do Senado Federal determinou ao diretor-geral da Casa, Haroldo Tajra, que apure e proponha soluções administrativas e jurídicas.

    Segundo o senador César Borges (PR/BA), ainda não há prazo para a entrega das análises. Na verdade, são atos publicados no boletim interno, mas houve falha no ponto de vista formal, explica Borges.

    Questionados sobre o fato dos novos atos secretos terem entrado no sistema do Senado apenas em 29 de maio deste ano, tanto o primeiro secretário da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI), como Borges não souberam explicar quem poderia ser o responsável pela ação, mas que será investigado. Heráclito garantiu ainda que nesta reunião não houve revalidação de outros atos.

    O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), afirmou que o partido não pretende entrar com novas representações a partir destas novas denúncias.  Isso aqui [o Senado] é uma mina e vai surgir muita coisa ainda, avalia o tucano. 

    Editados entre 1995 e 2000

    Os novos atos secretos foram editados entre 1995 e 2000, quando o presidente da Casa era o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que morreu há dois anos, e seguem o mesmo padrão do anterior, ou seja, contêm nomeações de aparentados de políticos, concessões de benefícios salariais e criação de cargos.

    A divulgação da primeira safra dos atos secretos, com a revelação de que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), obteve a nomeação de parentes por meio desses documentos sigilosos, foi o estopim da crise.

    Os boletins agora identificados por técnicos do Senado foram inseridos na publicação do Boletim de Administração de Pessoal (sistema que divulga essas informações), após o levantamento da comissão de sindicância que identificou os outros atos secretos do Senado. Os arquivos de computador desses 468 atos descobertos agora foram criados após 29 de maio.

    Um desses boletins reservados, por exemplo, trata de uma decisão da Mesa Diretora da época criando 42 cargos de confiança no gabinete da presidência do Senado e 73 na diretoria-geral. Na época, Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) - morto em 2007 - presidia o Senado. Agaciel Maia já era o diretor-geral. Outro ato nomeia Ronaldo da Cunha Lima Filho para trabalhar no gabinete do pai, o então senador Ronaldo da Cunha Lima, em 31 de julho daquele mesmo ano.

    Sabotagem

    Heráclito considera que a descoberta de novos atos não publicados como sabotagem. Querem criar um clima de insegurança interna, logo dois dias após a Comissão  encerrar os trabalhos [de análise dos 663 atos secretos anteriores]. Vamos apurar um por um , garantiu o senador democrata.

    O senador afirma que pode ter havido má-fé por parte de alguns servidores, que teriam inserido esses atos no sistema de publicação após o trabalho da comissão de sindicância. Isso é sabotagem, afirmou Heráclito Fortes.

    (*com informações das agências Estado e Brasil)

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