Diretor-executivo do Wall Street Journal renuncia

O diretor-executivo do Wall Street Journal (WSJ), Marcus Brauchli, renunciou nesta terça-feira, deixando o poder para o novo proprietário Rupert Murdoch, que impulsionou uma reviravolta do que é considerado a bíblia do setor dos negócios dos Estados Unidos para a informação mais geral.

AFP |

A renúncia de Brauchli acontece quatro meses depois de o jornal econômico americano passar para as mãos do magnata da imprensa Rupert Murdoch, que comprou o diário no ano passado após uma longa negociação com os proprietários históricos, a família Bancroft.

Em uma carta aberta à redação, Brauchli, que continuará sendo consultor do grupo News Corp., explicou que "agora que a transição de propriedade do Wall Street Journal está completa", os novos proprietários devem ter um diretor-executivo de sua escolha".

Ressaltou que o jornal "optou pelo caminho da transformação" e defendeu a News Corp. e Murdoch, assegurando que "desde a compra em dezembro passado a nova direção evitou escrupulosamente impor qualquer ponto de vista político ou econômico" à cobertura.

"A direção seguiu rigorosamente o código de conduta" definido na compra e "a integridade jornalística do Wall Street Journal se mantém intacta", avisou.

Brauchli, de 46 anos, entrou em 1984 para o grupo Dow Jones, matriz do jornal econômico, e assumiu a direção editorial do WSJ em maio de 2007, poucas semanas depois do lançamento da oferta de compra da News Corp., o grupo de Murdoch, sobre o Dow Jones.

Ao finalizar a compra em meados de dezembro, Murdoch escolheu como novo diretor da publicação um homem de confiança, Robert Thomson, ex-diretor editorial da edição americana do Financial Times.

Brauchli, último diretor nomeado sob a administração Bancroft, era querido pela redação e considerado um guardião da credibilidade do jornal sob o novo reinado de Murdoch, segundo a imprensa americana.

A revista Time indicou que Brauchli tentou encontrar um "ponto de equilíbrio justo" entre a nova via proposta por Murdoch e a tradicional.

Desde sua chegada ao WSJ, Murdoch desenvolveu a cobertura econômica do jornal, como a política, o setor de esportes, o luxo e o lazer, para atingir uma gama maior de eleitores, além do meio empresarial, e assim competir com o New York Times, seu grande rival na costa leste dos Estados Unidos.

Esta semana foi publicada uma nova versão do WSJ, com mais páginas gerais e com o conteúdo econômico em um caderno no interior do jornal.

Segundo a revista Newsweek, Murdoch participou diretamente da reforma junto com a redação.

Ante a reforma do WSJ, o New York Times vem enfrentando sérias dificuldades. O grupo New York Times, que inclui o Boston Globe, o International Herald Tribune e uma quinzena de jornais regionais, sofreu uma nova baixa de 11% no interesse publicitário no primeiro semestre de 2008.

O grupo já anunciou que fará um corte de 100 pessoas na redação. Uma situação que aumentou as especulações sobre uma possível venda do New York Times, ainda que o dono do grupo Arthur Sulzberger tenha indicado a seus acionistas nesta terça- feira que o jornal não está a venda.

Por outro lado, Murdoch segue sua expansão: segundo o Wall Street Journal, estaria negociando com o grupo Tribune outro grande jornal da costa leste americana, o Newsday, por 580 milhões de dólares.

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