Diretores de institutos de pesquisa analisam eleição sem Ciro Gomes

O diretor do Datafolha, Mauro Paulino, diz que a entrevista de Ciro Gomes (PSB) ao iG pode resultar em uma migração de votos para o presidenciável tucano José Serra. ¿Ciro praticamente dá apoio a Serra. Todas as pesquisas disponíveis trazem resultados que são anteriores a esse posicionamento¿, disse.

Marcelo Diego, iG São Paulo |

Em entrevista ao iG , Ciro Gomes criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela pressão supostamente exercida para retirá-lo da disputa ao Palácio do Planalto. O deputado federal disse que Lula faz um bom governo, mas não é Deus, que navegou na maionese, teceu críticas à candidata Dilma Rousseff (PT) e disse que José Serra (PSDB) tem mais chances de vitória.

Na nossa última pesquisa, a saída de Ciro fazia com que Serra subisse 4 pontos, Dilma, 2, e Marina (Silva, do PV) outros 2. Era uma distribuição mais ou menos proporcional. Precisamos ver como vai ficar agora, afirma Paulino. O último levantamento do Datafolha foi divulgado no dia 17 de abril. Mostra José Serra com 38% das intenções de voto, seguido por Dilma com 28%, Marina Silva (PV) com 10% e Ciro com 9%. Quando Ciro é retirado do quadro de candidatos, Serra passa a 42%, contra 30% da candidata do PT.

Mauro Paulino diz que o eleitor de Ciro Gomes é fiel ao deputado federal, não ao partido. Então, o poder de influência do apoio de Ciro tenderia a ser maior que a decisão do PSB.

De acordo com o diretor do Datafolha, as intenções de voto ainda continham uma dose de recall das eleições passadas. Sua saída abre a possibilidade de decisão ainda no primeiro turno. A polarização antecipada cria um efeito de segundo turno ainda no primeiro. Mas é necessário acompanhar o desempenho da Marina, que pode aglutinar os eleitores que não queiram votar nem em Serra nem na Dilma, forçando a realização do segundo turno, diz. Só que é matemático: cresce a probabilidade de definição no primeiro turno.

O diretor do instituto Sensus, Ricardo Guedes, acredita que os votos de Ciro Gomes tendem a favorecer mais Dilma do que Serra, na proporção de 65% a 35%, por estar Ciro mais no espectro de centro-esquerda.

As condições econômicas e sociais favorecem a candidatura Dilma Rousseff, que expressa o voto da continuidade, estando a oposição com dificuldades de formular um projeto alternativo para o País. Com a tendência de maior conhecimento de Dilma, as intenções de voto permanecerão equilibradas até o início do período eleitoral, com a sequência das campanhas, dos programas eleitorais nos meios de comunicação e com os debates. Os debates serão fundamentais na alteração ou não dessas tendências. No final da eleição, o eleitorado de Marina Silva poderá vir a fazer o voto útil, afirma Guedes.

Segundo Marcos Coimbra, presidente do Instituto Vox Populi, as análises são fixadas apenas em pesquisas feitas com cenários hipotéticos. Para ele, mesmo sem Ciro, ainda é prematuro falar em possibilidade de encerramento da eleição em primeiro turno. Ele diz ainda que não é tão simples o preceito de que Serra se beneficia mais com a saída de Ciro.

Para Coimbra, Serra é um candidato mais conhecido, por já ter participado de outras eleições presidenciais, assim como Ciro Gomes. Quando um eleitor se depara com uma ficha sem Ciro, há uma tendência a migrar para outro candidato que faça parte do seu universo de conhecimento - José Serra. À medida que Dilma e Marina se tornarem mais conhecidas, podem vir a ser alternativas de votos para esses mesmos eleitores. Para ele, só após o aumento do grau de conhecimento dos candidatos é que será possível falar da transferência concreta de votos.

Repercussão

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