Diretor-adjunto nega participação da Abin em grampos

BRASÍLIA - O diretor-adjunto afastado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Milton Campana, negou que a instituição tenha feito grampos nos telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, ou do senador Demóstenes Torres, conforme noticiou a revista Veja desta semana. Em depoimento na CPI dos grampos, Campana alegou que a Abin não se utiliza de escutas ilegais em suas operações.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

"[A Abin] não realizou, patrocinou ou colaborou com ações espúrias mencionadas por revistas de circulação nacional, as quais repudia veementemente e jamais serão utilizadas em seus trabalhos", disse.

Em seu pronunciamento inicial, Campana explicou as atribuições da Abin, disse que a Agência trabalha "diuturnamente" para a manutenção e defesa do estado democrático de direito e emendou: "As atividades são conduzidas com total observância dos direitos e garantias individuais e fidelidade às instituições e princípios éticos".

Morosidade no Congresso

Em depoimento, Campana disse que a falta de um regimento interno para a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional dificulta a fiscalização da Abin. Ele lembrou que o órgão foi criado em 2000 mas que até hoje aguarda aprovação de seu estatuto de funcionamento.

"A Comissão foi criada em 21 de novembro de 2000, mas não tem um regimento interno. Em agosto de 2001 o presidente da Comissão, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), apresentou projeto de regimento interno. Ele tramita e não foi levada ao Plenário. A não aprovação dificulta o cumprimento da fiscalização da Abin e de qualquer órgão do Sistema Brasileiro de Inteligência", disse.

A afirmação de Campana vai de acordo com trechos do depoimento do chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Jorge Félix, que depôs ontem na CPI. Ele criticou o Congresso dizendo que a cada legislatura os parlamentares são convidados para ir à Abin discutir as ações estratégicas e de controle da instituição, mas que até hoje o encontro nunca ocorreu.

Compra de equipamentos

Ao iniciar os trabalhos da CPI nesta quarta, o presidente da Comissão, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse que o depoimento de Campana pode esclarecer se a Abin comprou ou não, em parceria com o Exército brasileiro, equipamentos capazes de grampear telefones, e não somente fazer varredura contra escutas, conforme foi divulgado na reunião desta terça-feira.

Itagiba ainda destacou que Campana é um dos funcionários mais antigos da Abin e é remanescente do Serviço Nacional de Informação, órgão do Regime Militar que se transformou na Abin com a redemocratização

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