Diretor do Senado nega ter omitido da Justiça casa de R$ 5 milhões

BRASÍLIA - O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, se defendeu nesta segunda-feira das acusações de que escondeu da Justiça uma casa em Brasília avaliada em R$ 5 milhões, segundo foi publicado na imprensa no último fim de semana.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

Ele declarou nesta segunda-feira que não estava com os bens bloqueados em 1996 e que disponibilizou ao Fisco as informações sobre seu antigo imóvel, na QL 8 do Lago Sul, em Brasília, e a compra do novo terreno, na QL 6.

Maia estava munido de declarações de imposto de renda. Como alguém esconde uma casa que mora há 13 anos? No meu Imposto de Renda de 1996 mostra a venda da casa na QL 8 e a compra na QL 6. Está no meu Imposto de Renda, defendeu-se o diretor do Senado. 

De acordo com Maia, seu único erro foi não ter declarado a casa na QL 6 no cartório de imóveis do Distrito Federal. Meu erro foi que o seguinte, foi feito um documento de compra e venda, e como aquela era uma relação fraternal, eu não tive a preocupação de ir no cartório fazer a transferência, mas não a escondi o fisco.

As declarações dadas nesta segunda-feira contradizem o que Maia havia dito interiomente ao jornal "Folha de S. Paulo". "Eu comprei [o imóvel] , mas não podia pôr no meu nome porque eu estava com os bens indisponíveis. Então, na época, em vez de comprar no meu nome, eu comprei no nome do João", teria dito ao jornal. Agaciel Maia adquiriu a mansão, avaliada em R$ 5 milhões, no Lago Sul, em Brasília, em 1996.

Ainda de acordo com a reportagem, Maia estava com os bens bloqueados pois a Justiça investigada, desde 1994, seu envolvimento no escândalo da Gráfica do Senado, quando parlamentares foram acusados de usar a gráfica ¿ dirigida à época por Agaciel - para imprimir material de campanha. 

Mansão de R$ 5 milhões

Maia contestou ainda que a casa onde mora, no Lago Sul, valha R$ 5 milhões. Ele conta que o lago em frente à casa virou um pântano, e o terreno está localizado em frente a uma usina de tratamento de lixo, deixando mal odor na residência. Por isso, o imóvel seria avaliado, segundo Maia, em R$ 2,5 milhões.

O diretor do Senado observa que o Tribunal de Contas da União (TCU) poderia confirmar também que sua evolução patrimonial é compatível com a compra do imóvel. Segundo informações dadas por Maia nesta segunda-feira, o primeiro imóvel que teve em Brasília, há 29 anos, foi um apartamento de dois quartos na quadra 402 da Asa Norte. A partir da venda deste apartamento, ele teria adquirido um lote na QL 3 do Lago Sul e logo após trocou o terreno por outro, na QL 8, onde morou de 1988 e 1996.

Teria sido com o dinheiro ganho com a venda da casa no QL 8 que Agaciel comprou a casa milionária na QL6. Inclusive tem um médico aposentado e um consultou do Senado que moram na minha rua. Tenho 32 anos de Senado e posso comprovar minha evolução patrimonial, afirmou.

Cargo até 2011

Questionado pelos jornalistas se ficaria no cargo de diretor do Senado mesmo após as denúncias, Agaciel Maia disse não enxergar motivos para tal. Me sinto confortável no cargo. Já passei por sete presidente da Casa, não estaria aqui se não fosse competente, disse.

Segundo Agaciel, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o confirmou no cargo até janeiro de 2011.

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