Diretor do Detran entrega cargo, mas é convencido a ficar

A crise no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) levou seu diretor, o delegado Ruy Estanislau Silveiras Mello, a pôr o cargo à disposição. Mello, no entanto, foi convencido a permanecer pelo delegado-geral, Maurício Lemos Freire.

Agência Estado |

O motivo da decisão de Mello foi a manutenção da delegada Maria Inês Trefiglio Valente na Corregedoria do Detran. Maria Inês, que havia acertado sua saída do órgão na semana passada, foi mantida no cargo por decisão da cúpula da Secretaria da Segurança Pública, que tinha interesse em demonstrar que o trabalho da apuração de irregularidades no Detran é uma prioridade.

A Secretaria da Segurança Pública informou ontem que Mello é subordinado ao secretário e não procurou o chefe para informá-lo sobre seu descontentamento. Mello, no entanto, telefonou para amigos durante a manhã de ontem, informando-os sobre sua decisão. Disse a eles que era muito difícil ficar - ele já havia até convidado um delegado para assumir o cargo de Maria Inês. Mello se sentiu pouco prestigiado. Dizia estar cansado de enfrentar denúncias que envolviam o nome do departamento no momento em que ele tenta pôr a casa em ordem, criando regras e sistemas de controle contra fraudes nas Ciretrans e nas auto-escolas do Estado.

Ao mesmo tempo, seus auxiliares contam que a relação com a delegada Maria Inês não é boa. Ela assumiu a corregedoria há quatro meses, justamente para apurar as fraudes nas Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans), depois que a Operação Carta Branca flagrou a atuação da máfia das CNHs na Ciretran de Ferraz de Vasconcelos.

Na época, promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) obtiveram indícios de pagamento de propina até para policiais civis que trabalhavam na Corregedoria do Detran. É ainda a delegada quem deverá apurar as responsabilidades administrativas pelo fato de a Ciretran de Ferraz ter permanecido de 2006 a março de 2008 sem prestar contas ao Detran, conforme determina a lei, sobre as CNHs expedidas. Para os promotores do Gaeco, a situação pode configurar, em tese, crime de prevaricação e improbidade administrativa. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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