Bilbao (Espanha), 28 nov (EFE).-Autor de dois filmes dos Beatles, o cineasta americano Richard Lester disse hoje que, em 1964, os quatro músicos ingleses de Liverpool não pressentiam o que lhes preparava o destino, não se viam como personagens épicos e que a memória de John Lennon poderia estar nublada pela fumaça no ano seguinte.

Nascido na Filadélfia, em 1932, Lester, que rodou com os Beatles "A Hard Day's Night" (1964) e "Help" (1965) e fez, entre outros filmes, de uma série sobre "Os três mosqueteiros" e dois "Superman" II e III, receberá amanhã o prêmio Mikeldi de Honra por sua carreira, no encerramento do Festival Internacional de Cinema de Bilbao, na Espanha.

O também autor de "Petulia" (1968) e "Robin e Marian" (1976), este em torno da figura de Robin Hood, assinalou em entrevista coletiva que em 1964 "não havia forma de prever o destino que tiveram os Beatles".

Assim, disse que os Beatles "não pressentiam qual poderia ser seu destino" e lembrou que Ringo Starr "dizia que no futuro o melhor seria ter uma barbearia ou, melhor, uma cadeia de barbearias".

Lester, que em 1960, se apresentou no Festival de Bilbao com um filme mudo de 11 minutos de duração que recebeu o prêmio de Melhor Curta-Metragem daquela edição, negou as afirmações de John Lennon que o melhor de "Help" havia ficado na sala de montagem.

Após responder que "teria sido muito tolo e estúpido se me tivesse deixado o melhor do filme na montagem", atribuiu as afirmações de Lennon ao fato de que "ele gostava controlar as coisas, inclusive o que podia controlar".

Lester acrescentou, a este respeito, que "por aquela época (1965), os Beatles fumavam 'coisas estranhas'" - numa provável referência a maconha - e que "talvez as lembranças de Lennon estivessem um pouco nubladas pela fumaça", ironizou. EFE rb/jp

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