Diretor da Polícia Federal nega pressão política em caso Sarney

BRASÍLIA - O diretor-geral da Polícia Federal, delegado Luiz Fernando Corrêa, assegurou hoje que a instituição não sofre qualquer tipo de pressão política no âmbito da Operação Faktor (originalmente denominada Boi Barrica), que investiga o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). As pressões, se estão acontecendo, nós estamos bem protegidos. E a maior proteção da Polícia Federal é a qualidade da prova, afirmou.

Agência Estado |



"Costumo dizer que se nós tivermos uma prova robusta não interessa quem seja o investigado. Quem se insurgirá contra uma prova técnica robusta? E essa é a regra na Polícia Federal e é o nosso conforto". Fernando Sarney já foi indiciado em quatro crimes: tráfico de influência, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

Agência Brasil
O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa
Corrêa considera um "folclore" as especulações de que o presidente do Senado poderá optar por renunciar ao cargo caso conclua que a permanência e o prolongamento da crise contribuirá para piorar a situação de seu filho. Da mesma forma, o diretor-geral da PF não acredita que Sarney tenha decidido concorrer à presidência da Casa para tentar proteger os familiares na investigação.

"A operação segue normalmente e acho que isso prova que talvez tenha um pouco de folclore aí, que um ex-presidente reduziria assumir um cargo relevante no País em razão de uma operação. Não creio nisso", observou. "Se não vale para chegar não vale para... A Polícia Federal não opera motivada por questões políticas e partidárias. Ela investiga fatos e não pessoas. E fatos criminosos, não fatos políticos".

As supostas queixas de Sarney quanto ao vazamento de gravações telefônicas em que ele, o filho Fernando e a neta Maria Beatriz Sarney intercedem pela contratação do namorado da jovem, segundo Corrêa, não chegaram até a PF. O conteúdo das interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial foram reveladas pelo jornal "O Estado de S. Paulo". "As conversas em nível de chefe de poder, elas transitam entre as chefias dos poderes e, no máximo, até o ministro", afirmou.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, já afirmou que a PF não foi responsável pelo vazamento, ressaltando que as interceptações foram divulgadas depois que o processo seguiu para o Ministério Público e ficou à disposição das partes interessadas. Tarso chegou a dizer que o segredo de Justiça "praticamente terminou no País".

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