Diretor da PF apresenta a Mendes delegados que vão investigar grampos

BRASÍLIA - O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, apresenta nesta tarde ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, os dois delegados que irão conduzir as investigações sobre grampos ilegais instalados no gabinete do ministro.

Sarah Barros, Último Segundo/Santafé Idéias |


Além dos delegados Rômulo Berredo e William Morad, também participam da reunião o diretor-executivo da PF, Romero Menezes, o diretor de combate ao crime organizado, Roberto Troncon Filho, e o diretor de inteligência, Daniel Lorence.

A Abin é suspeita de ter interceptado telefonemas no gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, e de outras autoridades, segundo reportagem publicada pela edição desta semana da Revista Veja.

Nova direção da Abin

O secretário de Planejamento, Orçamento e Administração da Abin, Wilson Roberto Trezza, responderá pelo órgão até o término das investigações sobre a responsabilidade pelo grampo telefônico no STF. A portaria do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República foi publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da União.

Em outra portaria, o Gabinete determinou o afastamento "preventivo" do diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, do diretor-geral adjunto, José Milton Campana, e do diretor de Contra-Inteligência, Paulo Maurício Pinto.

Os três, segundo a portaria, passam a responder "pelo expediente" no Gabinete de Segurança Institucional. O afastamento dos diretores foi definido na segunda-feira, após reunião no Palácio do Planalto que contou com a participação de ministros do Supremo.

Na tarde de segunda-feira, Lula manifestou indignação e preocupação em relação à denúncia da revista "Veja" que, na edição desta semana, afirma que a Abin fez escutas ilegais contra senadores, ministros da República e do Supremo Tribunal Federal.

De acordo com a reportagem da revista, a Abin teria gravado a conversa telefônica do ministro Gilmar Mendes com o senador Demóstenes Torres. No telefonema, o senador pede ajuda ao presidente do STF contra a decisão de um juiz de Roraima, que teria impedido o depoimento de uma importante testemunha na CPI da Pedofilia, da qual Demóstenes é relator.

Em nota divulgada à imprensa, o Planalto informou que o presidente Lula decidiu pedir ao ministro da Justiça, Tarso Genro, a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar os fatos. O presidente manifestou ainda a expectativa de que o Congresso Nacional aprove um projeto de lei que regula e limita as escutas telefônicas para fim de investigação policial.

Na nota, Lula determina ao ministério da Justiça a elaboração de projeto de lei que agrave a responsabilidade administrativa e penal dos agentes públicos que cometerem ilegalidades no tocante a interceptações telefônicas e de qualquer pessoa que viole por meio de interceptação o direito de todo cidadão à privacidade e à intimidade.

PF determina instauração de inquérito

A Direção-Geral da Polícia Federal determinou à Superintendência Regional no Distrito Federal a instauração de inquérito para apurar supostos monitoramentos de comunicações de autoridades públicas. A PF solicitou ainda o acompanhamento da investigação por membros da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência ¿ CCAI (comissão permanente do Congresso Nacional), bem como pelo Ministério Público Federal.

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