Diretor da Abin se reuniu com ex-espião antes da publicação da denúncia

BRASÍLIA - O diretor do Departamento de Contrainteligência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Maurício Fortunato Pinto, se reuniu com Francisco Ambrósio do Nascimento, ex-agente do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), antes da publicação da matéria da revista ¿Istoé¿ na qual Ambrósio é apontado como coordenador dos agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que participaram da Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Durante o encontro, Ambrósio revelou ter trabalhado na operação a convite do delegado Protógenes Queiroz.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

Quando começou a correr, já na sexta-feira, e-mails de que ia sair na Istoé uma reportagem apontando o Ambrósio como o principal articulador da operação da PF, eu já vinha há alguns dias sofrendo com isso e resolvi procurá-lo para saber se ele tinha coordenado alguma coisa, porque às vezes isso foge do controle. Naquele momento ele me disse que não. E que ele tinha sido contratado pelo delegado Protógenes (responsável pela Operação Satiagraha), relatou Fortunato nesta quarta-feira, em depoimento à CPI dos Grampos.

Fortunato e toda a cúpula da Abin foram afastados do comando da agência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o ministro da Defesa, Nelsn Jobim, revelar que o Exército e a Abin compraram equipamentos capazes de fazer escutas telefônicas. A Abin é proibida por lei de usar tal recurso.

Denúncia publicada pela revista Veja afirma que autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário, entre elas o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, tiveram seus telefones grampeados pela Abin.

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