SÃO PAULO - O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu defendeu, nesta sexta-feira, o secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, apontado pela Polícia Federal como o vazador do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Para Dirceu, José Aparecido é "profissional competente, sério e correto" e considera "totalmente inverossímil que, um petista histórico como a imprensa registra, envie para um senador da oposição, via um assessor, documento com dados que seriam usados contra o governo e seu partido".

Reprodução/ TV Globo
José Aparecido Nunes teria vazado o dossiê

O ex-ministro ainda afirma que José Aparecido não é seu aliado, "e nem 'homem de Dirceu' como registrado em manchete de um jornal. José Aparecido é secretario de Controle Interno da Casa Civil nomeado por um ex-ministro da Pasta e mantido por sua sucessora". A declaração foi feita no blog do ex-ministro. Leia a íntegra no Blog do Zé Dirceu .

A Polícia Federal informou na quinta-feira que vai intimar José Aparecido para depor como principal suspeito de ser responsável pelo vazamento do suposto dossiê. Segundo disse o delegado Sérgio Menezes, encarregado do inquérito, a sindicância da Casa Civil concluiu que Aparecido é o autor do vazamento.

Entenda o caso

No dia 4 de abril, o jornal "Folha de S.Paulo" publicou reportagem com uma cópia de arquivo extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil , revelando um dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da sua mulher, Ruth, e de ministros tucanos.

A "Folha", que teve acesso ao documento, afirma que no período de uma semana foram criadas pastas diferentes para 1998, ano em que FHC foi reeleito, e os quatro anos do segundo mandato.

Ainda segundo o jornal, as planilhas, fartas em registros de compras de bebidas alcoólicas, trazem anotações que poderiam orientar os aliados governistas nos trabalhos da CPI dos Cartões, criada após a divulgação de gastos irregulares com cartões corporativos por membros do governo Lula.

Após a divulgação das planilhas, a ministra Dilma Rousseff teria telefonado para a ex-primeira-dama, Ruth Cardoso , dizendo que não se tratava de um dossiê. Dilma ainda convocou uma entrevista coletiva, em que voltou a negar a existência do dossiê.

Na ocasião, a ministra defendeu que o que havia sido feito era um banco de dados para sistematizar dados do governo FHC, afim de informar membros da CPI sobre os gastos.

Nesta quarta-feira, em depoimento de mais de 9 horas no Senado, Dilma voltou a negar a existência do dossiê .

Ao longo do depoimento, Dilma alegou que os dados vazados no suposto dossiê com gastos do ex-presidente FHC não são sigilosos . De acordo com ela, um decreto de dezembro de 2002 regulamentou quais são as informações reservadas. A partir dessa tese, passaria a não haver crime no vazamento das informações, já que os dados divulgados são anteriores a esta data.

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