Na internet, ex-ministro considerou "evidentes" indícios de abuso na operação comandada no Ministério do Turismo

O ex-ministro José Dirceu atacou a Polícia Federal por "abuso de autoridade" e "arbitrariedade" na Operação Voucher, deflagrada para apurar denúncias de corrupção no Ministério do Turismo e que resultou ontem na prisão de 35 pessoas. As investigações indicam supostos desvios de recursos públicos em convênios realizados em 2009, quando o ministério estava sob comando do PT.

Na época, o ministro era Luiz Barreto, petista indicado pelo diretório paulista do partido. Barreto foi secretário-executivo da atual senadora Marta Suplicy (PT-SP), quando ela dirigiu a pasta, entre 2007 e 2008 e sucedeu a petista no cargo. Atualmente Barreto é presidente do Sebrae.

Com o PT na mira da Polícia Federal, Dirceu analisou como "evidentes" os abusos na ação policial. "Está evidente que há abuso de autoridade e prisões arbitrárias, na forma como foram feitas, sem amparo, respaldo ou base na lei. Em muitos casos, fica claro, são prisões desnecessárias, cujo único objetivo é o espetáculo midiático e a tentativa de criar um clima de mar de lama e de corrupção generalizada", escreveu Dirceu em um texto publicado em sua página pessoal na internet.

Ex-ministro José Dirceu comentou operação da Polícia Federal em seu blog na internet
AE
Ex-ministro José Dirceu comentou operação da Polícia Federal em seu blog na internet

Entre os 35 presos na Operação Voucher, está o secretário-executivo Frederico da Costa Silva, indicado pelo PMDB e respaldado pelo líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Também foi preso o secretário de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Colbert Martins, também indicado pelo PMDB e com apoio do presidente da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima. Outro detido ontem foi o ex-presidente da Embratur, Mário Moyses, ex-assessor da senadora Marta Suplicy.

Na análise de Dirceu, há uma "tentativa de deslegitimar" a coalizão que apoia o governo e a "ideia de aliança político-partidária". Em reiteradas críticas à ação da Polícia Federal, o ex-ministro classificou a Operação Voucher como "Operação Satiagraha II".

"O que há, ostensiva e claramente, repito, é a volta das prisões espetaculosas com ampla cobertura da mídia, previamente informada das investigações. O que há, e com fortes indícios de abuso de autoridade, insisto, são prisões desnecessárias e em muitos casos ilegais, cujo único objetivo é a espetacularização midiática, quando não abertamente política", registrou o petista.

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